A prisão de Carlos Basílio Ifran Miranda, 49 anos, acusado de envolvimento no furto de 349 quilos de cocaína do Instituto Médico Legal (IML) de Campinas em 1999, ocorreu graças à persistência do delegado de Duartina, Antônio Augusto de Campos Lima, de investigar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) apresentada pelo acusado, que usava o nome de Wilson Gilberto Lopes.
Miranda, que é condenado a mais de 40 anos e estava foragido da Justiça, foi preso em Duartina na quarta-feira por uso de documento falso. Sua verdadeira identidade só veio à tona porque ele foi reconhecido pelo delegado seccional de Campinas, Miguel Voith Júnior, que veio a Bauru.
O delegado de Duartina pediu um auto de constatação provisório da CNH porque desconfiou que o documento era falso. O homem, que até então apresentava-se como Wilson, foi levado à delegacia por policiais rodoviários porque o licenciamento da caminhonete que dirigia estava atrasado.
Lima descobriu que os dados da CNH não batiam com os registrados no Departamento de Trânsito (Detran). “Nomeei dois peritos que fizeram o auto de constatação provisório. Eles verificaram que cinco dados da CNH, inclusive a data de emissão, divergiam dos dados do sistema Detran/Prodespâ€, relata.
Ao receber a voz de prisão por uso de documento falso, o homem, que afirmava chamar-se Wilson, chegou a pedir a presença de um conhecido que mora em Garça para ratificar a sua identidade. A testemunha confirmou que conhecia o acusado e que ele chama-se Wilson, mas disse também ao delegado que o homem era conhecido por Carlos, o que aumentou as suspeitas.
Porém, quando o delegado constatou tratar-se de CNH falsificada e divergências sobre o nome do acusado, ele sofreu parada cardíaca e precisou ser internado. Ele foi transferido para Bauru, onde acabou sendo reconhecido pelo delegado seccional de Campinas como o acusado de ter furtado os 349 quilos de cocaína do IML daquela cidade, que haviam sido apreendidos pela polícia.
Lima, no entanto, não soube dizer como o delegado de Campinas obteve a informação de que havia uma pessoa presa em Bauru que poderia ser Miranda. O JC não conseguiu contatar o delegado seccional de Campinas ontem para esclarecer o caso.