Polícia

DDM prende acusado de três estupros

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) prendeu ontem o pedreiro Claudemir Cândido Correia, 31 anos, acusado de ter cometido três estupros em Bauru nos últimos dias, todos no Núcleo Gasparini. O rapaz, que recentemente mudou-se de Bauru para Avaí, foi reconhecido por três vítimas, conta a delegada Rejani Borro Tiritan, titular da DDM.

Duas das vítimas são estudantes - uma de 17 anos e outra de 18 anos - que foram abordadas quando voltavam para casa juntas, após a aula, no Gasparini, na semana passada. Elas informaram que estavam caminhando pelo local de braços dados quando um homem desconhecido aproximou-se.

Ele ameaçou as garotas com um revólver e mandou que elas fossem para um matagal próximo. No local, ele obrigou-as a praticar sexo oral e, sem seguida, manteve relação sexual vaginal com ambas, sob ameaça de morte.

A outra vítima que reconheceu Correia é uma moça que foi estuprada nesta semana, também quando voltava para casa, no Gasparini. Ela contou à polícia que desceu do ônibus no Parque Vista Alegre, de onde caminhava para o bairro em que mora pelo acostamento da rodovia Marechal Rondon.

Um homem, com as mesmas características físicas do rapaz que estuprou as estudantes, passou a andar ao lado dela. Ele encostou um revólver na cintura da moça e anunciou o assalto. Ela continuou caminhando, tentando convencê-lo de que não tinha dinheiro.

Em seguida, ele empurrou-a para um matagal, ordenando-a que tirasse a roupa, enquanto ele fazia o mesmo e manteve relação sexual com ela. A delegada da DDM, que há dias estava investigando a seqüência de estupros - já foram registrados cinco casos neste ano em Bauru -, conta que chegou ao pedreiro graças aos relatos das vítimas, que apontaram várias semelhanças entre seus agressores.

“O fato dos três estupros terem ocorrido no mesmo bairro, as semelhanças na descrição física do agressor e o modus operandi, inclusive a arma, ter sido igual nos dois casos, nos indicou que se tratava da mesma pessoa”, frisa Rejani.

Correia foi localizado ontem em Avaí, em sua casa. Ele foi conduzido a Bauru para prestar depoimento, foi reconhecido pelas três vítimas e acabou confessando os estupros e disse estar arrependido. Ontem, inclusive, ele usava a mesma roupa de quando abordou as duas estudantes.

Com Correia foi apreendido um simulacro de arma de fogo, reconhecido pelas vítimas como a arma com a qual foram ameaçadas. A delegada apurou que por ocasião dos dois estupros Correia veio a Bauru de circular e retornou em seguida para sua casa, não levantando nenhuma suspeita na família.

O acusado, que não tem passagem anterior pela polícia, é casado, tem cinco filhos, era considerado um homem de bem entre os familiares e vizinhos. Para a titular da DDM, Correia deve ter um desvio de comportamento. “Foi uma surpresa muito grande para a família porque ele apresentava-se como uma pessoa muito íntegra”, frisa.

A delegada pediu a prisão temporária de Correia. “Ele ficará preso por 30 dias. No final desse prazo, vamos pedir a prisão preventiva (até ser sentenciado)”, revela Rejani. Os outros dois estupros ocorridos neste ano em Bauru já estavam esclarecidos.

Orientações

A delegada Rejani Borro Tiritan, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), orienta a população a adotar procedimentos que dificultem a ação de agressores, inclusive de violência sexual. Não andar sozinha à noite ou pela manhã em locais escuros e ermos é a principal dica às mulheres.

Rejani lembra que os dois estupros esclarecidos ontem - que fizeram três vítimas - ocorreram à noite, em locais de matagal. “O agressor ataca onde ele pode submeter a vítima”, diz.

Em caso de abordagem por estranhos suspeitos, a vítima deve tentar fugir entrando em algum estabelecimento comercial ou conversando com outra pessoa que esteja no caminho. Se não conseguir fugir do agressor, a delegada orienta as vítimas a não reagir. “A vítima precisa dialogar com o agressor. Há muitos casos de mulheres que conseguiram acalmar o agressor e evitaram o estupro”, conta.

Quando o agressor está armado, a orientação de Rejani é para que a vítima não reaja. “Não se sabe se é uma arma de brinquedo ou não. A arma apreendida com esse rapaz (Correia) é muito parecida com uma verdadeira”, lembra.

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