As casas desabitadas e abandonadas nos núcleos habitacionais de Bauru têm gerado uma série de problemas para a cidade. Estima-se que uma média de 10% das residências dos conjuntos populares, principalmente os mais novos, estejam nesse estado.
A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) deu início, na última semana, a um levantamento que pretende descobrir qual o total de imóveis que estão abandonados nos núcleos habitacionais.
De acordo com o diretor-presidente da autarquia, Constante Mogioni, a idéia é saber porque os proprietários não estão residindo nas casas, já que eles a adquiriram justamente para esse fim. “Os programas habitacionais são feitos para que as pessoas tenham uma casa para morar e não para que façam investimentosâ€, diz.
Ele não soube dizer qual o número de casas que possam estar nessa circunstância, mas afirma que, em dois núcleos visitados - Edson Francisco da Silva e Mary Dota - foram localizadas 22 casas com prestações atrasadas e vazias.
No final de 2001, a Cohab tinha feito um levantamento semelhante nos núcleos construídos até 1995. Na época, haviam sido constatados 80 imóveis abandonados.
A Caixa Econômica Federal (CEF), principal agente financeiro da habitação possui, só em Bauru, 223 contratos que estão sendo retomados por falta de pagamento. Isso não quer dizer que todas as casas estejam abandonadas, mas uma boa parcela delas já não está mais ocupada.
O Núcleo Nobuji Nagasawa não foi incluído na pesquisa da Cohab, por ter sido erguido depois daquela data. Lá, segundo a associação de moradores, há quase 100 imóveis abandonados, cercados de mato, sujeira e animais peçonhentos. “Isso acaba com a imagem do bairro. Muita gente não quer morar aqui por causa desse estado de abandonoâ€, diz Antonia do Carmo de Carvalho da Silva, responsável pelo Departamento Assistencial da entidade.
Ela explica que os moradores estão indignados com essa situação. “Já vai fazer quatro anos que o núcleo foi entregue e ainda não evoluiu por causa desse abandonoâ€, salienta.
Outro conjunto de casas que não entrou no levantamento da Cohab em 2001 foi o Joaquim Guilherme de Oliveira, também conhecido como “Pernambucoâ€. O núcleo também foi entregue em 1999 e ainda possui muitos imóveis desabitados.
A balconista Solange de Fátima Rafael, moradora do bairro, conta que teve de mandar passar a máquina na casa ao lado da sua, tamanho era o mato no local. “Precisa ver quantos ratos foram mortosâ€, diz, admirada.
Para a Polícia Militar (PM), as casas abandonadas são refúgios para marginais e um perigo para a população. “Tem gente que usa essas casas para consumir drogas ou para esconder produtos de furtoâ€, explica o soldado Ricardo Amaral, da Base Comunitária de Segurança Leste, que atua na área do Nobuji Nagasawa.
A solução, de acordo com a Cohab, é convocar os proprietários a habitar o imóvel, para tentar solucionar parte dos problemas do bairro.