Política

Ponte pode gerar audiência pública

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A decisão da Prefeitura de Bauru de interditar a ponte Ayrton Senna - que liga a região do núcleo habitacional Mary Dota ao Distrito Industrial I - poderá ser discutida e avaliada em audiência pública que deverá ser convocada pela Câmara Municipal.

Ontem, os vereadores José Clemente Rezende (PSB) e Milton Dota Jr. (PTB) protocolaram o pedido da reunião no gabinete do presidente do Poder Legislativo, Renato Purini (PV). Ele ainda não analisou o documento, mas adiantou que é a favor da realização da reunião. “Ela vai ajudar a esclarecer o problema”, diz.

O documento solicita ao presidente da Câmara que oficie à Comissão de Fiscalização e Controle da Casa o agendamento da audiência pública.

A comissão é presidida por Toninho Garmes (PSDB) e tem como membros os vereadores Luiz Carlos Valle (PSB), José Walter Lelo Rodrigues (PTB), José Humberto Santana (PV) e Milton Dota Jr.

O pedido assinado por Clemente e Dota Jr. sugere que sejam convocados para a audiência o prefeito Nilson Costa (PPS), o secretário municipal de Obras, engenheiro Antonio Carlos Duarte; o ex-secretário municipal de Obras, Edmilson Queiroz Dias; representantes da Tofer Engenharia (responsável pela obra); da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag); do Departamento de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp); da Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania, da Procuradoria da República; do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP) e a comunidade em geral.

Para Dota Jr., a audiência vai “abrir” a discussão sobre o problema da ponte. “Temos que inserir a sociedade na avaliação desse problema da ponte do Mary Dota. A partir da conclusão da audiência, vamos decidir que caminho seguir”, explica.

O parlamentar conta que tem sido cobrado de diversos segmentos da sociedade uma participação “mais efetiva” nas discussões dos problemas da cidade.

A reunião na Câmara também poderá ser uma forma de se buscar uma solução mais ágil para o problema, segundo Clemente. “Temos que dar uma resposta rápida à população do Mary Dota e região, a mais prejudicada”, avalia.

Para o parlamentar do PSB, a audiência vai servir para subsidiar uma possível representação ao Ministério Público ou a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). “Ou, ainda, até mesmo uma Comissão Processante”, prevê Clemente.

“Estou tranqüilo”

O prefeito Nilson Costa (PPS) diz que está “tranqüilo” em relação à movimentação dos vereadores em torno do assunto. “A obra não foi superfaturada. Interditamos a ponte por questões de precaução à integridade física de seus usuários”, explica.

Ele lembrou que há um viaduto inacabado no Centro da cidade que custou aos cofres públicos R$ 40 milhões. “Suas obras estão paralisadas há seis anos e até agora não trouxe nenhum benefício à população, em que pese esse custo fabuloso”, critica.

O prefeito reforça que a ponte do Mary Dota foi feita com todos os requisitos exigidos pela lei. “A empresa que a construiu é especialista em pontes. A obra prestou serviços à população por dois anos. Apresentou problema e a interditamos por questões de segurança.”

Nilson reclama que por mais de um ano a ponte sobre o rio Tietê, que liga Pederneiras a Jaú, ficou interditada e pouco se falou sobre o assunto. “A unidade da Febem demorou mais de um ano para funcionar e apresentou problemas apontados pelo Ministério Público. O Centro de Detenção Provisória a mesma coisa”, defense-se.

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