Pode demorar décadas, séculos ou até milênios, mas é certo que um dia o petróleo acabará. E, quando isso ocorrer, também estarão inexoravelmente fadados a desaparecer seus subprodutos, como a gasolina e o óleo diesel.
Mas, antecipando-se e preparando-se para a inevitável demanda de mercado, principalmente para a necessária renovação da frota que se anuncia, as montadoras estão acelerando o desenvolvimento de pesquisas que visam projetar veículos capazes de rodar com outros tipos de combustíveis não-fósseis.
Nessa verdadeira corrida contra o tempo, começam a surgir vários combustíveis alternativos ao petróleo. Um deles é o biodiesel, que pode ser extraído, entre outros, de sementes de girassol, soja, dendê, castanha, amendoim, mamona e algodão, assim como da gordura animal, obtida em matadouros e de óleo já usado em frituras.
O biodiesel é produzido por um processo chamado transesterificação. O óleo vegetal é filtrado, processado com materiais alcalinos para remover gorduras ácidas e então misturado com álcool e um catalisador. As reações formam ésteres e glicerol, que é separado.
Entre outras vantagens, o biocombustível pode ser utilizado em motores originariamente a diesel de forma pura ou misturado em proporções que variam dos 5% aos 30%. Além disso, por ser um combustível cuja combustão é mais limpa, não prejudica o meio ambiente, pois elimina componentes atóxicos após a queima.
Atualmente, o biodiesel já é largamente comercializado em países europeus, como a França e a Alemanha, e nos Estados Unidos. No Brasil, o governo carioca já mantém um programa para incentivar a produção do novo combustível e várias pesquisas a respeito vem sendo desenvolvidas em diversas universidades nacionais.
Em Bauru
Bauru está próxima de contar com uma unidade geradora de biodiesel. O proprietário de uma empresa de equipamentos para extração de óleos vegetais, Adilson Manzano, concluirá dentro de dois meses a instalação de uma micro-usina com capacidade para fabricar 240 litros do combustível a cada 12 horas. Ele revela que planeja torná-la capaz, até o final do ano, de produzir 3 mil litros/dia.
Manzano explica que enxergou no biocombustível um grande e novo filão de mercado com potencial incalculável de crescimento e resolveu investir mesmo ainda não existindo uma legislação no Brasil que regulamente sua comercialização em postos. “Mais cedo ou mais tarde isso precisará ocorrer, pois encontrar substitutos ao petróleo é uma tendência mundialâ€, justifica.
Além disso, o empresário argumenta que do biodiesel pode-se aproveitar comercialmente tudo, desde seus subprodutos, como a glicerina, até as sobras do processo de transformação de semente em combustível. “Do girassol, por exemplo, uma massa restante, que chamamos de torta, é largamente utilizada para ração animal. Já a glicerina é matéria-prima para fabricação de saponáceosâ€, frisa ele.
Manzano enumera, ainda, outra série de vantagens do biodiesel em relação ao seu “irmão†de origem fóssil. “Além de ser proveniente de uma fonte renovável de energia, seu rendimento nos motores é semelhante ao diesel, mas o poder de lubrificação é muito superior. Também não é tóxico e, em caso de acidente durante o transporte, não contamina o solo como o diesel convencional.â€
E enquanto suas usinas não estão concluídas, Manzano estabeleceu uma parceria com um proprietário rural mineiro, que fabrica e utiliza o biodiesel em máquinas e implementos agrícolas, para demonstrar sua produção e funcionamento aos clientes interessados.
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Testes no RJ
Reportagem publicada durante a semana no JC informou que o governo do Rio de Janeiro quer incentivar a produção de biodiesel a partir de óleo vegetal. O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernando Peregrino, disse que 12 municípios vão cultivar mamona, em uma área de aproximadamente 12 milhões de hectares, para extrair o produto. O que for obtido será utilizado em carros das prefeituras.
O secretário disse ainda que o governo está preparando uma petição para solicitar a homologação do biodiesel na Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para ser aprovado, é necessário que seja testado com sucesso em 50 veículos, que precisam rodar 160 mil quilômetros.
O biodiesel será testado também, em março, em caminhões da capital do Rio de Janeiro. O produto está sendo obtido a partir de óleo usado nas frituras de uma rede de lanchonetes.
A empresa firmou há um ano uma parceria com a Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, desde então, fornece 25 mil litros de óleo mensalmente. A fase de testes químicos foi concluída e agora dois caminhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana vão utilizá-lo experimentalmente.
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Outras alternativas
Matéria divulgada recentemente na Gazeta Mercantil revela que grandes montadoras de automóveis, nos Estados Unidos, aceleram os planos para o lançamento de veículos híbridos, movidos a energia elétrica e combustível.
A General Motors, Toyota, DaimlerChrysler e Ford preparam-se para lançar os novos modelos entre o final de 2003 e 2004. A fabricante japonesa já anunciou até que espera vender 300 mil carros híbridos por ano, em todo o mundo, até a metade desta década.
A empresa revelou que também considera planos para adaptar uma versão do Camry, um dos veículos mais vendidos nos Estados Unidos, para o uso elétrico/combustível, além da van Tundra.
Na Chrysler, o primeiro veículo híbrido também deverá ser uma picape. Por sua vez, a Ford prepara o modelo popular Escape para lançamento no início de 2004, em versão híbrida.
A Honda, que saiu na frente com dois lançamentos, o Insight e uma versão do Civic, prepara-se para diversificar as ofertas neste modelo. A Toyota também se antecipou e lançou no mercado o Prius.
Os veículos híbridos são monitorados por sensores eletrônicos, que acompanham todas as funções básicas para evitar panes. O motor a gasolina permanece desligado até que o carro alcance a velocidade de 30 km/h. A passagem para o motor elétrico é feita de forma automática.
Os carros híbridos utilizam baterias de níquel, que armazenam mais energia do que as comuns. A emissão de poluentes também é bem menor. A Califórnia, estado pioneiro no controle de poluição ambiental, já anunciou para 2004 padrões ainda mais rigorosos para automóveis e caminhões. O mesmo acontecerá na Europa Ocidental.
Outra tecnologia já com amplos estudos a respeito são a dos carros movidos a células de combustível, que produzem energia a partir de hidrogênio puro, e não de petróleo, e emitem apenas água e calor como excedentes, sem agredir ao meio ambiente.