Há exatos 38 anos, o contador bauruense Pedro Ítalo Rigitano teve publicado no dia 26 de janeiro de 1965, no Diário de Bauru, único jornal local na época, um artigo de sua autoria intitulado “Contabilismo em Marchaâ€. Começava aí a sua incansável militância no movimento pró-bacharel em ciências contábeis.
No texto, que dava início a uma coluna semanal sobre o assunto, Rigitano apontava que o termo contabilista vinha sendo comumente usado para denominar toda a vasta categoria de profissionais que trabalhavam com a contabilidade (guarda-livros, técnicos em contabilidade, contadores, peritos-contadores, professores de contabilidade), ao contrário do que o título realmente significa: profissional bacharelado na matéria, com diploma universitário de contador.
“Na época, os profissionais que trabalhavam com contabilidade se formavam em curso médio e ninguém queria seguir o curso superiorâ€, comenta Rigitano, que escolheu o ofício dadas às poucas possibilidades financeiras de sua família, mas que, em pouco tempo de curso, se viu apaixonado pelos números.
“Ninguém queria seguir esse curso mesmo. Eu me formei no ensino médio, que dava o diploma de contador, mas não era bacharel e de pirraça fui fazer faculdade. Depois, fiz também licenciatura e até já lecioneiâ€, orgulha-se.
Rigitano foi delegado Conselho Regional de Contabilidade (CRC) por 25 anos e é um dos fundadores do Sindicato dos Contabilistas, durante muitos anos também editou os boletins informativos do órgão, pois é membro da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado de São Paulo e da Academia Bauruense de Letras.
A militância do contador público originou até um livro chamado “Contabilismo Universitárioâ€, lançado por ele em 1968, e que servia como forte instrumento do movimento pró-bacharel e pró-faculdades de Ciências Contábeis, que foi levado a todo o Brasil através de artigos de jornal, palestras e do próprio livro.
Sindicatos, Lions e Rotarys foram seus principais aliados na peregrinação.
Rigitano conta que em suas andanças passou a incentivar um núcleo-movimento em Sete Lagoas, Minas Gerais e a integrar o grupo do Rio Grande do Sul, que estava ligado aos norte-americanos, que como Rigitano, acreditavam que o exercício das atividades com as contas alheias exigiam um aprofundamendo constante.
Ele chegou a representar o País em encontros internacionais e pouco mais de cinco anos depois da publicação de seu artigo, Rigitano pôde organizar em Bauru o V Encontro das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo, que contou com a abertura do então prefeito Alcides Franciscato, um dos grandes incentivadores de sua luta.
“Me orgulho muito desse trabalho que fiz, só em Bauru, na faculdade do Toledo, a ITE se formam por ano mais de 50 profissionais diplomadosâ€
Ainda hoje, o contador lamenta as deficiências da lei que regulamenta a profissão e continuem permitindo que técnicos exerçam funções além de sua capacidade. Por isso, os sindicatos desenvolvem um trabalho contínuo para a unificação da categoria.
“Nós vamos para a cadeia se errarmos. A contabilidade vai muito além da escrituração. Ela gerencia empresas inteiras e conseguimos provar isso por a mais b.â€
Há mais de 50 anos atuando como contador, Rigitano que já ultrapassou os 80 anos de idade, não pensa em parar. Ele trabalha todos os dia e em seu escritório tem clientes como a Beneficência Portuguesa e o Hospital de Base.
“Modéstia à parte, minha teimosia deu certo. Se eu deixar a contabilidade, eu morroâ€, confessa.