Tribuna do Leitor

No Brasil, o crime compensa. E ainda dá lucro e Ibope


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Infelizmente, para nós e, principalmente, para nossos filhos e netos, a história do Brasil do seu sei lá se descobrimento ou arrombamento até os dias de hoje e ao futuro que se projeta para um País fantástico, abençoado por Deus, com qualidades geográficas e climáticas que nos credenciam a sermos o celeiro do mundo. Aqui, a tolerância racial, fruto da maior miscigenação de raças do Planeta, impera em todo o seu território, onde a cordialidade e solidariedade do povo são evidentes. Quando temos qualquer tragédia provocada pela mãe natureza, fruto do descaso e da má administração pública, imediatamente ações populares movidas pela solidariedade voluntária, regidas por uma minoria de pessoas e entidades bem-intencionadas, dignas e honestas que nos fazem acreditar que um dia nosso País será um lugar digno, passível de se visualizar e realizar saídas para minimizar a dor daqueles que nÃo entendem o por quê ou como as coisas são tão difíceis e atualmente sem perspectivas para eles e seus familiares. O que até hoje eu estou vendo, e acredito que a maioria daqueles que são do bem também estejam vendo e percebendo, é que o legado da grande maioria dos brasileiros que possuem poder em qualquer nível passou a ser o de explorar o próximo e a tudo no que ele puder tocar; tirar o máximo de proveito de tudo e todos que lhe cercam como se o nosso País, Estados ou Municípios fossem acabar amanhã. A regra básica do jogo chamado corrupção parece ser a de que só há um minuto para que cada corrupto pegue o que puder e tudo será seu; acabe com tudo e todos; esqueça e nem pense no próximo ou nos próximos. Quem conseguir pegar, juntar ou roubar mais será o maior, o mais forte, o mais poderoso e será o comandante máximo dessa legião que aumenta dia- a-dia. Aqueles que conseguirem traficar mais, destruir mais jovens, famílias será o maioral. Matem os pais, os avós, abusem das crianças; seqüestrem, abusem sexualmente, estuprem, acabou a ordem, a Justiça é cega, é lenta e se for preciso compra-se. O crime compensa. A maior pena são 30 anos; cumpre-se um terço. Depois, liberdade para usufruir aquilo que conseguimos. Vivam os direitos humanos dos criminosos; dane-se o resto; roube, mate, desmate, porque esperar gerações para se ter bem-estar; fome, ninguém mata para comer; ninguém morre por ou de trabalhar; dignidade, tradição, nome familiar a zelar por herança e transmiti-lo aos filhos e netos isso é careta, “kara”; vamos ali que a gente compra ou falsifica um título, um diploma, um cargo, uma nota fiscal. O que manda é ter dinheiro, ter fama; ninguém pega ou paga mais de 30 anos; “mano”. O desconto para quem é boa gente é de 20 anos. “Kara”, dá para acreditar que tem uma pequena minoria idiota, quase em extinção, que trabalha há gerações, de sol a sol; tem nome e dignidade a zelar; trazem por herança a honestidade e querem deixá-la e transmiti-la a seus descendentes; gostam de trabalhar, e com trabalho conseguem adquirir algum bem. Só não têm tempo de usufruí-lo; tiram férias uma vez por ano de no máximo uma semana; nunca foram ao Exterior; gastam quase tudo o que ganham com impostos; o pouco que sobra é para fazer o seguro do que sobrou do último assalto ou roubo, pagar plano de saúde e dar estudo aos filhos que são babacas, não estão acostumados com as ruas; vivem fechados; vão da escola para o curso disso e daquilo e na hora de trabalhar o QI (quem indicou) é fraco; pagam até para jogar futebol! “Kara”, esse tipo de gente a fim de trabalhar, transmitir austeridade não tá com nada, a não ser que um dia, “kara", pinte um tremendo de um maluco, com certeza de outro lugar, certamente sem descendente ou parente que foi, é ou pretenda ser político, ou fazer, ou viver da política, e resolva criar uma lei muito simples, tendo em todo seu conteúdo apenas o seguinte:

‘Todo aquele que lesar terá que ressarcir a quem quer que seja lesado na sua íntegra. Se for preciso, a dívida continuará sendo paga pelos seus descendentes.’

Eu só acredito nos próximos 500 anos de um Brasil digno, se essa lei um dia for editada. Nem ligo se for por medida provisória, porque esperar aprovação do covil ou melhor do Congresso seria querer demais. (Domingos Malandrino - pequeno empresário, Conselheiro do Ciesp e atual Diretor de Indústria e Serviços do Município. RG 10.347.048)

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