Regional

Ataque gerou prejuízo de R$ 70 mil

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

São Manuel - Para defenderem-se contra os ataques das lebres gigantes, os produtores da região têm utilizado todos os meios de combate possíveis. O mais comum é colocar telas em torno da plantação. Mas em alguns casos, esse procedimento é inviável, em razão do tamanho da área plantada.

Depois de ter perdido toda a plantação de maracujá, o administrador do sítio Campo Alegre, em São Manuel, Aparecido Falasca, pensou em duas soluções possíveis.

Uma delas é justamente colocar telas ao redor da área plantada. A outra solução é plantar feijão para saciar a fome das lebres. Ele acredita que desta forma, os animais evitariam a plantação de maracujá, uma vez que o broto do feijão é um dos alimentos preferidos desses roedores.

A tática é uma resposta a ação das “lebres gigantes”, que destruiu quase que totalmente os pés de maracujá plantados por ele, no sítio. No local sobrou apenas um pé da fruta disputa espaço com o mato. Depois da destruição, Falasca abandonou a plantação, ou o pouco que sobrou dela, e a área ficou tomada pelo mato. Ele disse que só vai retomar os investimentos quando encontrar uma solução para o problema.

De acordo com o administrador, a ação das lebres causou um prejuízo de R$ 70 mil, aproximadamente. Além de semente e adubo, ele gastou também com a perfuração de um poço artesiano, de onde sairia a água para irrigar a plantação.

“Matar o bicho não pode. Então, é preciso arrumar um modo de cercar o terreno ou plantar uma área com feijão para a lebre comer enquanto o maracujá cresce”, esquematizou ele.

O uso da tela de proteção foi a saída encontrada pela equipe de pesquisa da Fazenda Experimental da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Manuel.

De acordo com o supervisor do Setor de Apoio a Pesquisa, Nilton Aparecido de Moraes, hortas inteiras de abobrinha, brócolis, couve e outras hortaliças foram destruídas pelas “lebres gigantes”, três anos atrás.

O ataque, segundo Moraes, só foi controlado com a instalação de 1,5 quilômetro de tela.

Este ano, no entanto, elas foram substituídas por cães, que passam a noite vigiando a plantação. Menos velozes, os cães ajudam apenas a espantar as lebres.

Vinculada à Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu, a fazenda experimental é utilizada, entre outros experimentos, para o desenvolvimento de espécies resistentes a doenças.

Emílio José Andrade, também produtor rural, é outra vítima das “lebres gigantes”. Depois de ter perdido todo o feijão que plantou no ano passado, Andrade resolveu investir na plantação de amendoim.

Mas não foi o suficiente para se ver livre das lebres. Mesmo com a mudança, elas voltaram a atacar, embora com menos intensidade.

De acordo com o fazendeiro Antônio Sanches, as lebres geralmente fazem seus ninhos debaixo dos pés de café e no meio do canavial.

Grande produtor de soja, milho e feijão, ele também foi uma das vítimas da “lebre gigante”.

Segundo ele, o ataque começou a ser notado há quatro anos e atingiu suas plantações não só em São Manuel, mas também em Botucatu, Lençóis Paulista e Pratânia.

Mais uma vez o feijão esteve entre as culturas mais afetadas pelo ataque.

Em Botucatu, no entanto, há registros de que plantações de laranja foram prejudicadas pela ação das lebres. De acordo com o proprietário rural, Luiz Carlos Galhardo, elas comem a casca da planta, comprometendo assim seu desenvolvimento.

Assim como os produtores rurais, que estão sendo prejudicados pelos ataques do animal, o médico veterinário da Casa da Agricultura de São Manuel, Airton Romão, também espera uma atitude do Ibama para solucionar o problema.

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