São Manuel - Para defenderem-se contra os ataques das lebres gigantes, os produtores da região têm utilizado todos os meios de combate possíveis. O mais comum é colocar telas em torno da plantação. Mas em alguns casos, esse procedimento é inviável, em razão do tamanho da área plantada.
Depois de ter perdido toda a plantação de maracujá, o administrador do sítio Campo Alegre, em São Manuel, Aparecido Falasca, pensou em duas soluções possíveis.
Uma delas é justamente colocar telas ao redor da área plantada. A outra solução é plantar feijão para saciar a fome das lebres. Ele acredita que desta forma, os animais evitariam a plantação de maracujá, uma vez que o broto do feijão é um dos alimentos preferidos desses roedores.
A tática é uma resposta a ação das “lebres gigantesâ€, que destruiu quase que totalmente os pés de maracujá plantados por ele, no sítio. No local sobrou apenas um pé da fruta disputa espaço com o mato. Depois da destruição, Falasca abandonou a plantação, ou o pouco que sobrou dela, e a área ficou tomada pelo mato. Ele disse que só vai retomar os investimentos quando encontrar uma solução para o problema.
De acordo com o administrador, a ação das lebres causou um prejuízo de R$ 70 mil, aproximadamente. Além de semente e adubo, ele gastou também com a perfuração de um poço artesiano, de onde sairia a água para irrigar a plantação.
“Matar o bicho não pode. Então, é preciso arrumar um modo de cercar o terreno ou plantar uma área com feijão para a lebre comer enquanto o maracujá cresceâ€, esquematizou ele.
O uso da tela de proteção foi a saída encontrada pela equipe de pesquisa da Fazenda Experimental da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Manuel.
De acordo com o supervisor do Setor de Apoio a Pesquisa, Nilton Aparecido de Moraes, hortas inteiras de abobrinha, brócolis, couve e outras hortaliças foram destruídas pelas “lebres gigantesâ€, três anos atrás.
O ataque, segundo Moraes, só foi controlado com a instalação de 1,5 quilômetro de tela.
Este ano, no entanto, elas foram substituídas por cães, que passam a noite vigiando a plantação. Menos velozes, os cães ajudam apenas a espantar as lebres.
Vinculada à Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu, a fazenda experimental é utilizada, entre outros experimentos, para o desenvolvimento de espécies resistentes a doenças.
Emílio José Andrade, também produtor rural, é outra vítima das “lebres gigantesâ€. Depois de ter perdido todo o feijão que plantou no ano passado, Andrade resolveu investir na plantação de amendoim.
Mas não foi o suficiente para se ver livre das lebres. Mesmo com a mudança, elas voltaram a atacar, embora com menos intensidade.
De acordo com o fazendeiro Antônio Sanches, as lebres geralmente fazem seus ninhos debaixo dos pés de café e no meio do canavial.
Grande produtor de soja, milho e feijão, ele também foi uma das vítimas da “lebre giganteâ€.
Segundo ele, o ataque começou a ser notado há quatro anos e atingiu suas plantações não só em São Manuel, mas também em Botucatu, Lençóis Paulista e Pratânia.
Mais uma vez o feijão esteve entre as culturas mais afetadas pelo ataque.
Em Botucatu, no entanto, há registros de que plantações de laranja foram prejudicadas pela ação das lebres. De acordo com o proprietário rural, Luiz Carlos Galhardo, elas comem a casca da planta, comprometendo assim seu desenvolvimento.
Assim como os produtores rurais, que estão sendo prejudicados pelos ataques do animal, o médico veterinário da Casa da Agricultura de São Manuel, Airton Romão, também espera uma atitude do Ibama para solucionar o problema.