Política

Walter espera relatório para reagir

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-presidente da Câmara Municipal de Bauru, vereador Walter Costa (PPS), espera o relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras - que deverá ser anunciado até o final desta semana - para analisar qual o caminho que vai tomar para se defender de uma possível Comissão Processante (CP). Um deles poderá ser o judicial.

“Se cometerem injustiça comigo, não sei qual vai ser minha reação. Se você leva um tapa na cara, você pode chorar, pode correr e pode sair com uma bazuca nas costas atrás do cara”, diz, ao comentar sobre as especulações de que teria ameaçado os vereadores José Clemente Rezende (PSB) e José Humberto Santana (PV), relator da CEI.

Clemente e Santana encaminharam ofício ao presidente do Legislativo, Renato Purini (PV), pedindo que seja providenciada proteção policial para garantias de integridade física.

Walter, porém, criticou a iniciativa dos parlamentares. “Essas ameaças que eles falam são fruto da pobre imaginação. Acho um absurdo eles terem tomado essa atitude, principalmente baseado em conversa de corredores”, analisa.

Santana e Clemente garantem que alguns vereadores presenciaram as ameaças de Walter na sala da presidência. O ex-presidente assume que a conversa existiu, mas apenas comentou que não saberia prever qual seria sua reação diante da sugestão de uma Comissão Processante para cassação de mandato.

“Tenho certeza absoluta de que jamais - isso nunca me passou pela cabeça - vou tirar a vida de alguém em razão de um fato político. Vou tomar atitudes, sim. Mas atitudes judiciais”, avisa.

Vingança

Walter diz que se o relatório final da CEI das compras sugerir uma CP avaliará essa decisão como uma vingança. “Se isso acontecer, é por vingança. É porque querem criar um fato político. Eu não me omiti em nenhum momento. As provas estão dentro da Câmara.”

O ex-presidente do Poder Legislativo avisa que se a comissão de investigação apontar omissão na apuração das denúncias de irregularidades, será necessário provar a falha.

“Mas eles podem colocar. A processante é um instrumento meramente político. Pode cassar sem ter motivo. Mas não acredito porque conheço muito bem todos os vereadores. Não acredito que eles vão cometer um ato desumano e injusto como esse.”

O parlamentar garante que o atual mandato é o último de sua carreira política. “A hora que eu sair daqui, terminando o mandato ou não, enquanto eu viver jamais vou passar em frente à Câmara. Jamais vou abrir jornais para ler sobre qualquer assunto político”, diz.

O vice

No depoimento por escrito que encaminhou ontem à CEI das compras, o ex-presidente da Câmara afirma que não procede a afirmação de que seu ex-vice-presidente, Roberto Bueno (PTB), era o responsável pela administração da Casa.

“Não é verdade. Eu fiquei quatro anos fora da Câmara. Não tinha a quantidade de funcionários que tem hoje. E para administrar uma Casa com mais de 100 funcionários na parte política e financeira não é fácil. Solicitei ajuda do Roberto na parte administrativa”, relata.

O depoimento por escrito do parlamentar traz, ainda, que todas as decisões sobre compras de materiais e equipamentos para a Casa eram tomadas em comum acordo com a Mesa Diretora, na época composta pelos vereadores José Humberto Santana e Rodrigo Agostinho (PV), primeiro e segundo secretários, respectivamente.

“Toda compra de materiais e equipamentos precedia de sugestões de membros da Mesa Diretora, diretores e funcionários. Como um dos exemplos posso citar que a sugestão para aquisição do aparelho Datashow foi feita pelo vereador Santana”, relata.

O equipamento, adquirido em dezembro de 2001, foi o estopim das denúncias de irregularidades na Câmara.

O Ministério Público instaurou procedimento investigatório para apurar denúncia de que o equipamento teria sido adquirido a preço superfaturado, o que ficou constatado após a investigação. Uma ação civil pública apura responsabilidades.

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