O pintor de paredes Paulo Antonio Velasco não precisou da conta bancária do vereador Osvaldo Paquito (PPS) para sacar o dinheiro de um segundo cheque emitido pela Câmara Municipal nominal à empresa Volare Comércio e Obras Ltda., no valor de R$ 1.679,55. Ele compareceu diretamente ao caixa do Banco do Brasil e sacou o dinheiro em espécie.
É o que mostra o microfilme do cheque, datado de 31 de janeiro de 2001, encaminhando ontem pelo banco à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras, que se reuniu para uma avaliação geral das apurações. O recebimento do cheque na Câmara foi feito por Paquito, que o repassou a Velasco.
No primeiro pagamento feito pelo Poder Legislativo a Volare, no valor de R$ 1.682,58, datado de 11 de janeiro de 2001, o pintor pediu ao parlamentar do PPS que depositasse o cheque na sua conta bancária, já que não possuía uma e necessitava do dinheiro com urgência. Uma cunhada e um sobrinho do vereador são proprietários da empresa.
Mas o mesmo não ocorreu quando Velasco pegou o segundo cheque, provavelmente endossado, possibilitando o saque direto no caixa. O fato novo intrigou o vereador João Parreira (PSDB), membro da comissão de investigação.
O tucano diz que precisa ser explicado por que o pintor pediu a Paquito que depositasse o primeiro cheque e, no segundo, preferiu sacar o dinheiro diretamente no caixa.
“O que me chamou a atenção é esse raciocínio. Se o primeiro cheque estivesse cruzado, justificaria o fato. Ainda não posso chegar a nenhuma conclusão sem verificar os dois chequesâ€, avalia.
“Fácil de explicarâ€
O vereador Osvaldo Paquito recebeu com tranqüilidade a notícia de que o segundo cheque nominal emitido pela Câmara a Volare foi sacado por Velasco diretamente no caixa do Banco do Brasil.
“A coisa é simples. É fácil de explicar. Foi uma informação distorcida de funcionário do bancoâ€, justifica-se. Segundo ele, o fato de o pintor de paredes sacar o segundo cheque diretamente no caixa mostra que o primeiro não precisaria ter sido depositado na sua conta bancária.
“Todo cheque que é endossado e carimbado vira ao portador. No primeiro, a informação que eu tive do banco era de que o cheque não poderia ser sacado.â€
Paquito, mais uma vez, reforça que não fez nada de errado. “No primeiro cheque, a coisa poderia ter sido feita assim. É que banco é problema. Às vezes, você pega informações com dois ou três funcionários e ela fica diferenteâ€, explica.
Paulo Antonio Velasco não foi localizado pela reportagem do JC para comentar o assunto.