Piratininga - O prefeito de Pederneiras, Rubens Cury (PSDB), deve pedir hoje a reintegração de posse da área que foi ocupada anteontem por um grupo de trabalhadores sem-terra, às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú).
Cury disse ontem que espera uma solução pacífica para o problema. Segundo ele, os acampados “são pessoas boasâ€, que foram levadas “pelo desespero†a participar de invasões de terra.
O prefeito esteve reunido com os representantes do acampamento, denominado Terra Nossa, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), ontem de manhã. Pouco antes da reunião, Cury procurou a delegacia da cidade para registrar um boletim de ocorrência pela invasão.
Durante a reunião com o prefeito, os representantes do movimento solicitaram vagas nas escolas, transporte, água e alimento.
Cury disse que anteontem atendeu ao pedido de água, mas em caráter emergencial. Segundo ele, não está nos planos da prefeitura continuar dando assistência ao movimento. Para o prefeito, “não cabe ao município fazer a reforma agráriaâ€. Na opinião dele, esse assunto é de competência do governo federal. “O que cabe a nós é preservar a área do municípioâ€, disse.
A área invadida, segundo informou o prefeito, pertence ao município e está destinada a construção de um distrito industrial. No local estão cerca de 80 famílias, que juntas formam um grupo de 200 pessoas, aproximadamente. Desse total, cerca de 50 são crianças em idade escolar.
O grupo chegou a Pederneiras depois de ficar 16 dias acampado no Horto Florestal de Aimorés, em Bauru. A mudança foi feita em cumprimento a uma decisão judicial de desocupação da área.
O novo acampamento fica às margens da rodovia Bauru-Jaú, na altura do quilômetro 223, próximo ao Vale do Igapó.
Anteriormente, a mesma área havia sido ocupada por um grupo da Agricultura Familiar, ligada a CUT. Os sem-terra ficaram no local durante cinco meses.
As estruturas das barracas usadas pelo grupo anterior foram reaproveitadas pelas famílias que saíram do Horto de Aimorés.
Apesar da resistência do prefeito, o encontro de ontem foi considerado positivo na avaliação do coordenador geral da CUT em Bauru, Paulo Vieira de Lima.
Segundo ele, a conversa “foi transparente†e os representantes do movimento teriam deixado bem claro para o prefeito que a ocupação está sendo feita em caráter provisório.
De acordo com Lima, os sem-terra foram para Pederneiras porque não tinham um outro lugar mais adequado. “Entre ir para debaixo da ponte ou para alguma favela, eles preferiram montar um novo acampamentoâ€, informou ele.
Segundo avaliação do coordenador da CUT, o local escolhido não é apropriado para a agricultura, por causa das árvores, que estão por todos os lados.
Sem condições de produzir o próprio alimento, os acampados estão dependendo de doações da população, de entidades assistenciais e de sindicatos.
Apesar de provisório, o acampamento não tem data para ser desmontado. Antes disso, os integrantes do movimento querem um posicionamento do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) sobre as denúncias de uma suposta grilagem no Horto Florestal de Aimorés.
De acordo com a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra, Maria Aparecida Luz, a idéia dos sem-terra é acampar em uma área onde tenham, pelo menos, 50% de garantia de desapropriação.
Maria Aparecida disse também que os integrantes do movimento decidiram acampar em Pederneiras por se tratar de uma área pública, que não estava sendo utilizada. Por esse motivo, eles acreditavam que o prefeito não iria pedir a reintegração de posse.
Além de Lima e dos representantes dos sem-terra, a reunião de ontem com o prefeito Rubens Cury contou ainda com a participação do diretor da CUT, no Estado de São Paulo, Flávio de Souza.