Tribuna do Leitor

Cultura da morte


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Os privilegiados leitores do JC, porque é até um duplo privilégio saber ler e poder comprar um jornal como este, num país como o Brasil, de 40% de analfabetos e de um salário mínimo mensal equivalente ao valor de uma diária de hotel, talvez se façam esta pergunta: quais poderiam ser, neste momento histórico, alguns sinais de que está gestando a chamada: “cultura da morte”, seja no Brasil, seja no mundo? Não é necessário nenhum esforço maior para perceber estes sinais; basta abrir um jornal, escutar um programa de rádio, ver um noticiário de televisão. A corrupção em todos os níveis, como moeda corrente, sem que haja reações realmente fortes para coibir esta situação e sancionar os corruptos, especialmente aqueles que usam das vantagens do poder público para enriquecer absurdamente. A violência física como forma usual de resolver diferença, até entre amigos e vizinhos. Na verdadeira guerra da criminalidade comum, a pena de morte sendo aplicada indiscriminadamente; atira-se antes, pergunta-se depois. Os “grupos de extermínio”, que matam principalmente crianças. É um sinal que é, talvez, a principal causa de tanta violência - impunidade -; a crescente brecha entre uns poucos cada dia mais ricos e uma sempre maior massa de gente sem as mínimas condições de vida digna. É esta situação, embora conhecida por toda à população, sendo aceita mais ou menos tranqüila ou fatalisticamente. O tema é de extrema importância e grita por respostas reais e urgentes. Oxalá estes sinais da cultura da morte, tão vivos e onipresentes na nossa sociedade, nos alertem a todos, nos levem a nos posicionarmos e a fazer nossa opção pela cultura da vida, a fim de que possamos caminhar esperançosos e confiantes ao encontro do terceiro ano do novo milênio da era Cristã... (João Álvares - da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado - da Associação Paulista de Imprensa)

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