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O equilíbrio para vida: o ser humano precisa entender que é parte integrante do meio


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É interessante refletir que já no terceiro milênio do calendário cristão e há dois milhões de anos que o primeiro ser humano surgiu na Terra ainda enfrentemos realidades tão díspares na relação com a natureza.

A visão de que o ambiente construído não constitui parte da natureza perdurou por muitos anos no ideário humano e muito verde e parte de nossa biodiversidade foram destruídos em nome desse pensamento. A colonização do Brasil é exemplo de pensamento que não contribuiu para a construção de cidades mais integradas ao verde, principalmente num local onde os portugueses descobriram um paraíso tropical. Ao contrário de mantê-lo, cidades foram construídas através da destruição da natureza e, inclusive, da natureza humana: os índios.

Ao invés de aprender a viver em contato com o meio ambiente, como os nativos, os portugueses preferiram implantar nestas terras o mesmo padrão de urbanização da civilização européia. Esse ideário de importação de padrões perdura até os dias atuais. Hoje ainda vemos construções que desrespeitam as condições do solo, dos ventos, do clima e do escoamento das águas.

Mais grave que isso é saber que restam apenas 7,5% da Mata Atlântica e que com os 92,5% destruídos desapareceu parte importante de nossa biodiversidade. Uma perda como essa deve ser lamentada pela humanidade e comparada com o incêndio da Biblioteca de Alexandria, em 641 d.C., onde haviam livros que ninguém nunca leu e onde havia informações que poderiam ser fundamentais para a nossa vida no futuro.

Se por um momento a humanidade esqueceu-se que é parte integrante do meio ambiente e que o desrespeito à natureza é um desrespeito a sua própria condição, hoje é necessário refletir sobre seu papel dentro do ecossistema e a urgência de atitudes que vão ao encontro da sustentabilidade.

Apesar de tudo parecer tão trágico, já podemos acreditar numa nova realidade onde o ser humano esteja em harmonia com o seu habitat. Afinal, é de se esperar que os problemas ambientais das cidades, que interferem diretamente na vida humana, estimulem uma urgente tomada de atitudes. Ao procurar soluções para a poluição do ar, do solo, das águas, das enchentes, do lixo e das habitações, encontraremos questões transdisciplinares e sistêmicas que, para serem resolvidas, exigirão uma compreensão ampla do meio ambiente.

O êxodo rural comprovou: as cidades têm algo muito interessante para oferecer ao ser humano. Sem dúvida, é bom ter por perto o conforto de sistemas de educação, saúde, alimentação e afins. Porém, deve existir uma contrapartida do ponto de vista da qualidade de vida. O ser humano faz parte da natureza. É lógico que seu distanciamento do natural é prejudicial para seu desenvolvimento pleno.

É lamentável que a Rio+10 não tenha avançado em questões tão prementes na defesa do planeta, porém, o desenvolvimento sustentável dos países não depende de acordos internacionais e sim de governos compromissados com a população mais pobre e carente de políticas públicas que estejam em consonância com um equilíbrio econômico, social e ambiental.

Como afirma o filósofo dinamarquês, Kierkegaard, para compreender a vida é necessário olhar o passado, e, para vivê-la, é necessário olhar o futuro, isto é, aquilo que não existe. Ao olhar o passado e compreender seus erros, talvez o ser humano seja capaz de olhar adiante e atuar para o equilíbrio para vida em Gaia. (O autor, Rodrigo Botelho, é jornalista formado pela Unesp)

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