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A pressão do custo de vida


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A manifesta disposição do novo governo central no sentido de conter o deslanche do custo de vida, que explodiu nos últimos tempos da administração cessante, ainda não acusa resultados positivos, pois, com o seu assentimento formal, quase tudo quanto se compra vem tendo seus preços reajustados para os altos e o pouco que ainda se conserva estacionário está esquentando velozmente o motor para deixar rapidamente a estação na qual parou... Já se esperava por isso, tando assim que a curta paralisação, a última que se levou a efeito, não chegou a ter força de influência no ânimo do brasileiro de maneira a levá-lo a acreditar estivesse colocado, finalmente, nas mãos de dirigentes inteiramente capacitados para realizar milagres, dando um chega pra lá nos arranques dos preços dos bens alimentícios e, consequentemente, patenteando condições de situarem em terreno concreto as aspirações da enorme população nacional.

Todos quantos se colocaram em tão animadora expectativa vêem agora o desassoriamento de suas esperanças através dos aumentos denunciadores do dessaranjo claro e pleno da política econômica da nova administração nacional, cujos mentores, se ainda não o sabiam, estão sabendo, finalmente, de que “na prática a teoria é completamente outra” e, então, só têm mesmo é que aguentar as mesmas críticas com que vergastaram o lombo dolorido de seus antecessores durante todo o longo tempo em que estiveram em seríssima oposição. Contudo, uma coisa a Nação espera renhidamente dos novos gestores: que os próximos reajustes não venham a ter dimensões desmedidas, capazes de manterem o susto em que se encontra o mercado consumidor. Nisto eles bem que poderiam ser diferentes da turma cessante, porque os carentes, cujos proventos salariais não chegam para cobrir as suas necessidades mais comezinhas, reivindicam menos o paternalismo das cestas básicas, recentemente martirizadas com 36 por cento de majoração, do que providências mais que concretas para o declínio do custo dos produtos em geral, a fim de que possam ter possibilidade de conseguirem com dignidade de ser humano, válido e operoso, os alimentos que seus intestinos exigem para seu devido sustento. Os timoneiros da nossa economia precisam escolher melhor, muito melhor, as correntes aquáticas para bem navegarem nas águas que lhes pertencem. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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