Os seus olhos azuis transparecem a beleza de sua alma. Aucione Torres Agostinho, aos 70 anos, já não tem mais a mesma voz aveludada de antes, mas continua uma fonte de sabedoria e ensinamento para muitos. Exemplo disso é a exposição que montou juntamente com duas de suas alunas, as artistas plásticas e escultoras Miriam Delmont e Rosa Maria Parolo Ribeiro.
Entre quadros, poesias e esculturas os visitantes podem se deleitar e conhecer um pouco mais da obra desses bauruenses na mostra “Traços & Formas†que está em exposição no Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru até o dia 16.
Além de artista plástico, escultor, pintor, poeta, professor, exímio cantor de serestas e fotógrafo nas horas vagas, Agostinho foi chargista do Jornal da Cidade - convidado pelo poeta Nindoval Reis - de 1970 até o ano de 1990. Seus 20 anos de desenho criaram aqui dedicados aprendizes (Greifo, Fernando Dias e Ronnie) que hoje ilustram e dão continuidade aos trabalhos do mestre.
Formado pela Faculdade de Artes e Comunicação - Fundação Educacional de Bauru (atual Unesp) – em educação artística desenho e artes plásticas, exerceu por muito tempo a função de professor no Colégio Técnico Industrial “Professor Isaac Portal Roldanâ€, em Bauru. Além disso, fez mestrado e doutorado pela Unesp e cursos na Europa, durante três meses.
Agostinho possui dois livros publicados, o primeiro, em 1981, chamado “Chargeando†traz caricaturas de pessoas de expressão e do movimento político na cidade de Bauru. O segundo lançado em 1995, intitulado “Bauru no Tempo e no Traço†que é uma homenagem feita pelo autor aos 100 anos da cidade. Além das duas publicações, Agostinho desenhou a capa do livro de poesia de Cora Coralina. Da poetiza o autor também esculpiu um busto, que está na cidade de Goiás Velho.
Além de desenhar e pintar a capela do Centro de Anomalias Craniofaciais de Bauru (Centrinho) e ajudar a construí-la, pintou uma capela na cidade de Jacuba. Como escultor já fez grandes obras como a homenagem “O Soldadoâ€, que está na cidade de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul e “O Emigrante†(exposta através de fotografia no Sesi) que é uma escultura de cinco pessoas, em tamanho real, que está em uma praça de Póvoa de Varzinha, em Portugal.
Entre os trabalhos menores, mas não menos importantes, está uma peça que ganhou em São Paulo, no ano de 1997, o prêmio de primeiro lugar, entre outras 30 esculturas em uma mostra de trabalhos feitos por funcionários públicos.
Como músico, já gravou um CD que traz músicas de serestas. A obra leva o nome de “Aucione Para os Amigos†e traz no repertório, além de canções já conhecidas dos amantes do estilo, uma especial em homenagem à sua mãe. Aos 23 anos Agostinho também gravou canções comemorativas para a TV Record.
Como poeta escreveu obras como â€Confidentesâ€, “Encantamento†e “Madrugadaâ€, que podem ser conferidas na exposição. O pintor e poeta Perez Filho escreveu uma poesia especialmente para Agostinho falando sobre o trabalho de ilustração feito por ele na decoração de Natal da rua Batista de Carvalho na década de 70 (naquele tempo ainda não existia o Calçadão).
A poesia dizia. “Pintor que pintas painéis/ tão lindos como a manhã / nas mãos trazes pincéis / na alma tua fé cristã/ Pintor que pinta Maria/ e o Deus menino, Jesus, / tens n’alma mais alegria, /aos ombros, mais leve a cruz/ Pintor que pintas pastores, / a estrela e os animais, / cantas com tintas, amores, / feliz como nunca mais/ Pintor que pintas figura/ humana, ou animal,/ revives toda a ternura/ do nosso Santo Natal.â€
As alunas
Delmont é professora de matemática por formação, mas tem nas veias o sangue de seu pai, o artista plástico Caiuby Delmont, que integrou a União Bauruense dos Artistas Plásticos (Ubap). Apesar de mestre em matemática aplicada e computacional e doutora em matemática aplicada a agronomia, Delmont se tornou uma colorista da corrente impressionista e escultora fundamentada na escola acadêmica de artes.
Influenciada pelo pai, se especializou em pintar retratos, o que já lhe rendeu a premiação de menção honrosa no “4.º Salão Oficial de Artes Plásticas de Bauruâ€, quando expôs um quadro onde pintou uma foto de sua sobrinha.
A professora iniciou nas artes plásticas pintando porcelanas com a pintora bauruense Miriam de Oliveira Rocha e quadros de natureza morta com a professora Angelina Messemberg. Hoje, como aluna de Agostinho, reproduz retratos em óleo sobre tela e trabalha com esculturas feitas em argila.
Assim como as obras do mestre, algumas de suas esculturas foram transformadas em peças de bronze. De acordo com Delmont, ela cria a escultura e a partir daí é feito um molde de silicone de onde será retirada a nova peça em bronze. Desta técnica surgiu a bailarina feita em bronze e pátina que pode ser vista na exposição.
Ribeiro também tem sangue artístico nas veias. Formada em Odontologia (trabalha hoje na seção de próteses faciais do Centrinho de Bauru) transfere toda sua experiência para as esculturas. Ela começou nas artes pintando tecidos, técnica que aprendeu com Joseni Zanchetta Ferraz. Daí em diante passou a ampliar seus conhecimentos e partiu para as telas, onde já desenvolveu trabalhos em óleo sobre tela e espatulado.
No seu traçado podem ser conferidas algumas obras de natureza-morta e outras baseadas na escola acadêmica de artes. A artista plástica também desenvolve trabalhos em estilo moderno.
Com Agostinho, aprendeu como fazer esculturas em argila e bronze. Nesses trabalhos a artista desenvolve peças baseadas em obras de famosos como Portinari e Tarsila do Amaral.
• Serviço
Exposição “Traços & Formas†dos artistas plásticos e escultores Aucione Torres Agostinho, Miriam Delmont e Rosa Maria Parolo Ribeiro. A mostra pode ser vista de segunda a sexta-feira das 8h às 19h e aos sábados das 9h às 16h e das 13h às 16h. Rua Rubens Arruda, 8-50. Informações: (14) 234-1066.