Polícia

Aves morrem aprisionadas em isopor dentro de mala

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O presente que o aposentado Waldir Costa levava para seus netos resultou num termo circunstanciado lavrado no 2.º Distrito Policial. No ônibus em que viajava, ele transportava 18 aves, sendo que 17 estavam mortas, dentro de um isopor. A irregularidade foi constatada na manhã de ontem, na quadra 18 da avenida Nuno de Assis, durante um bloqueio da Polícia Militar (PM).

De acordo com o registro policial, Costa comprou as aves de um menor na rodoviária de Cambará, no Paraná. Ele teria pago R$ 31,00 pelos canários. O aposentado seguia de Londrina (PR) para Matão (SP), num ônibus intermunicipal.

Os canários da terra, animais da fauna silvestre, foram localizados por PMs de Bauru no bagageiro interno do corredor do veículo, acima da poltrona onde o aposentado estava instalado. As aves estavam acondicionadas no interior de um isopor que, por sua vez, estava dentro de uma mala.

Após o registro da ocorrência na Polícia Civil, os pássaros foram encaminhados ao Zoológico Municipal de Bauru. Costa foi liberado e prosseguiu viagem. Contudo, de acordo com a Polícia Ambiental, ele está sujeito à detenção de até um ano por ter transportado inadequadamente as aves e por maltratá-las.

“O artigo 32 da lei 9605/98 prevê detenção de três meses a um ano para quem mutila animais silvestres. Já o transporte sem autorização prevê penalidade semelhante: de seis meses a um ano”, explica o 1.º tenente da Polícia Ambiental Nilson Fidelis da Silva.

Para o diretor do zoológico, Luiz Pires, que identificou a espécie dos pássaros, o aposentado deve ser enquadrado em vários artigos da lei ambiental e pode até pegar mais de um ano de reclusão. “Infelizmente ele foi solto, mas espero que o caso sirva de exemplo contra o tráfico de animais”, ressalta.

Segundo Pires, para transportar aves é preciso acondicioná-las em caixas que as proporcione conforto térmico, mas livres das correntes de ar.

“Os pássaros precisam de espaço para dissipar o calor corporal, que é alto e fica mantido em 44 graus. As aves têm dificuldade em perder o calor e necessitam respirar ar frio para eliminar o quente. Elas morreram da maneira mais cruel”, lamenta.

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