O vereador Rodrigo Agostinho de Mendonça (PMDB) está solicitando ao prefeito Nilson Costa (PPS) a regulamentação ou extinção da Feira do Rolo, realizada aos domingos pela manhã na rua Júlio Prestes há cerca de 20 anos.
Na Feira do Rolo são vendidos e trocados os mais variados produtos novos e usados - de relógios antigos a discos de vinil, passando por CDs, eletrodomésticos e até animais vivos. A argumentação de Rodrigo é que na feira são comercializados produtos de furto e roubo.
“Visitei a feira por vários domingos e é visível a comercialização de vários produtos de origem suspeita, que podem ser ilegaisâ€, afirma. O vereador diz que o preço é o principal indicativo da origem ilícita. “Vi produtos novos sendo vendidos muito abaixo do preço de mercado. Eu já vi toca-fitas que custa R$ 500,00 à venda por R$ 30,00â€, conta.
Amilcar de Oliveira Coelho, presidente da Associação dos Trabalhadores na Economia Informal e um dos líderes dos vendedores da Feira do Rolo, discorda de Rodrigo. “Ele está desinformado. Temos 129 pessoas cadastradas, que ocupam espaços demarcados na Feira do Rolo. Cerca de 50% delas estão regulamentadas, expondo na feira todos os domingos, como foi proposto pela prefeitura, e recolhendo a taxa de R$ 48,00 por anoâ€, afirma.
Coelho, que vende brinquedos na Feira do Rolo, afirma que a quantidade de produtos de origem ilícita comercializada é muito pequena. “Todos os domingos tem policiamento na feira. Em dezembro teve uma fiscalização e foi apreendido um ou outro produto apenas, o que mostra que a maioria dos vendedores está trabalhando regularmenteâ€, sustenta.
A Feira do Rolo tem mais de 100 barracas montadas na rua, em áreas demarcadas pelas secretarias municipais de Agricultura e Planejamento. “Estamos pedindo à prefeitura um estudo sobre a feira. Se a decisão for regulamentá-la, para vender produtos todos terão que estar cadastrados na prefeitura, ter crachá e espaço definido. Ao contrário, é melhor extinguir a feiraâ€, propõe o vereador.
Para Rodrigo, o cadastramento atual é falho. “Tem cadastro, mas qualquer pode chegar com produtos, pôr na calçada e venderâ€, afirma. “O número de furtos em Bauru tem aumentado e a Feira do Rolo é um lugar, praticamente sem controle, onde podem estar sendo vendidos esses produtosâ€, diz.
Fonte de renda
O vereador concorda que a proposta de extinção da feira é polêmica, mas ele acredita que a maioria das pessoas que vende produtos na rua Júlio Prestes não depende da atividade para viver. “Não acredito que a Feira do Rolo seja fonte de renda de quem monta barraca láâ€, diz.
O aposentado Antônio Carlos da Silva, que vende peças de fogão na Feira da Rolo, afirma que depende da atividade para a sobrevivência. “Sou aposentado, mas boa parte da minha renda vem da feira. Se a feira acabasse, não sei como viveriaâ€, diz. “Pode ter gente que vende coisa furtada, mas é mínima. Tem que arrumar um jeito de evitar isso, não acabar com a feira todaâ€, completa.
Coelho, que durante a semana trabalha como camelô na área central da cidade, concorda com Silva. Ele relata que as vendas de domingo na rua Júlio Prestes são melhores que na maioria dos pontos de ambulantes da cidade. “No domingo, na Feira do Rolo, as minhas vendas são 50% maiores que nos dias de semana no Centroâ€, diz.
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Para PM, ponto é crítico
A Feira do Rolo é uma preocupação para a Polícia Militar (PM), segundo o tenente Flávio Jun Kitazume, comandante interino da 1.ª Cia. “Realmente pode ser um dos sumidouros de produtos furtados. Se não são vendidos no local, mas é lá que são feitas as ofertas para entrega mais tarde, em outro lugar. É um ponto de contatoâ€, diz.
Ele concorda com Rodrigo Agostinho, de que o preço de alguns produtos, abaixo de mercado, é um indicativo da origem ilícita e de que é preciso aumentar o controle sobre a feira. “Nós fazemos o policiamento no local, mas não podemos apreender as mercadorias por causa do preçoâ€, frisa.
Kitazume ressalta que a feira dificulta o trabalho da polícia no esclarecimento de furtos e roubos. “Muitas vezes, quando uma pessoa que está com um objeto de valor é indagada sobre a procedência do produto, diz que comprou na Feira do Roloâ€, explica.
A PM suspeita até que na Feira do Rolo sejam vendidos ou negociados equipamentos de informática e armas de fogo. “Várias pessoas pegas com armas afirmam que compraram na Feira do Roloâ€, cita.