Articulistas

Exclusão injustificável


| Tempo de leitura: 2 min

Nas refeições que se fazem no lar, nos restaurantes, nos hotéis e pensões e, igualmente, nas confraternizações sociais, toda vez que acontece o momento de se saborearem camarões, lagostas, uma pescadinha ou outros animaizinhos do mar, bem raros são os que voltam sua lembrança para aqueles que tornaram possível o grande prazer de tão deliciosa mesa. Quais e como são realmente os esquecidos? São os heróicos pescadores, que poucos sabem como vivem em suas sempre pobres moradias junto às orlas marítimas, nem advinham os seus sonhos, vislumbram as suas necessidades mais comesinhas e, igualmente, tudo quanto eles aspiram do futuro que se projeta à sua frente. Realmente, bem poucos atentam para a figura do pescador e para o fato de que ele possui méritos verdadeiramente extraordinários, pois, indiferentes aos enormes riscos da própria vida física, enfrentando então as tempestades em alto mar, assegura não só a alimentação dos semelhantes como as atividades distribuidoras do comércio e da indústria? São pessoas que, esquecidas do exterior, passam dias e noites nas praias dos oceanos, de pé em suas canoas ou sobre as encostas dos rios, e lutam holericamente por si e sua família, fazendo suas pescarias, vendendo-as normalmente a preços ínfimos e, ao voltarem para o merecido descanso, nem sempre encontram em casa o conforto a que fazem jus.

Estamos certos ou exagerados? Entendemos que não, achando essa gente uns eternos esquecidos ou excluídos, como inversamente não o são outras categorias profissionais, as quais, às vezes, sem os mesmos pés de igualdade, participam do atendimentos da sociedade e dela recebem toda atenção, como detalham os pescadores, sem que, paradoxalmente, tenham tantos lamentos para emitir! Normalmente, dizem apenas: “Em época de mau tempo, ninguém ganha nada. A pesca fica parada. Mas trabalhar todo mundo trabalha. Ninguém deixa de atender às suas obrigações, seja para lavar as redes ou remendá-las, seja para puxar, lavar e cuidar dos botes que os conduzem ao domínio das águas”. Saca-se que o pescador é homem do mar. Mas, não só a vida marítima teria de recebê-lo, recepcioná-los fraternalmente, acolhendo-o de braços afetuosamente abertos. Também as sociedades teriam a obrigação social de o fazer como princípio humanitário devido a todos os seres humanos, sem os menores esquecimentos ou quaisquer exclusões, partindo da premissa de que serão felizes os que souberem valorizar a missão de terceiros, distinguindo plenamente uma montanha de um montículo de terra. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

Comentários

Comentários