Os Conselhos Comunitários de Segurança (Conseg) de Bauru continuam discutindo com os vereadores Rodrigo Agostinho (PMDB) e Maria José Majô Jandreice (PC do B) a elaboração de um projeto de lei que estabeleça regras para a instalação de bares que vendem bebidas alcoólicas perto de escolas.
Uma dos principais itens deve ser a definição de distância mínima entre o estabelecimento e a unidade de ensino. O assunto foi discutido novamente ontem à noite, em reunião realizada na sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), no Distrito Industrial.
Foram convidados diretores de escola, a diretoria dos quatro Consegs de Bauru, o dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, entre outros segmentos. Jacqueline Didier, presidente do Conseg Sudeste, afirma que a proposta não é impedir o funcionamento de bares, mas sim estabelecer regras para que não prejudiquem o ensino.
Ela ressalta que, após essa reunião, o assunto ainda deve ser discutido em audiência pública. Já Majô explica que a principal dificuldade na elaboração do projeto é o fato de existir bares instalados muito próximos de escolas.
“A proposta é estabelecer distância mínima entre a escola e o bar. Mas como ficariam os já instalados? Por isso estamos discutindo o assunto com outros setoresâ€, explica. Rodrigo vem estudando leis que regulam o funcionamento de bares em outras cidades. Em algumas, bares não podem ser instalados num raio inferior a 100 metros da escola.
A limitiação, no entanto, divide opiniões. Enquanto alguns acham que os bares devem ficar distantes, outros defendem a presença deles próximos a locais de ensino. Para Gina Sanches, diretora de uma escola no Jardim Pagani, a delimitação de distância seria uma boa opção.
“A lei ajudaria a manter os alunos adolescentes longe das bebidas, porque não haveria a possibilidade de se conseguir bebida fácil. Os adolescentes são muito suscetíveis a exageros e isso os manteria mais afastados. É uma idéia muito positivaâ€, opina.
Já para Ciro Pedro da Silva, dono de um bar e sorveteria que fica em frente a uma escola no Bela Vista, essa distância não seria suficiente para impedir os alunos de irem ao bar. “Se a pessoa realmente quiser comprar bebida não é a distância que vai impedirâ€, conta Ciro.
Além disso, para evitar a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade, o dono do bar afirma que sempre pede documentos para quem quiser comprar. â€œÉ preciso, porque senão acabamos trazendo problemas para nós e para as escolasâ€, avisa.
Um problema, no entanto, não pode ser evitado pelos donos dos bares, o de alunos maiores de idade que queiram comprar bebidas alcoólicas. “Se eu peço a carteira de identidade e a pessoa é maior, eu não posso fazer nadaâ€, diz.
Entre alunos das escolas, as opiniões também se dividem. â€œÉ um incentivo à bebida e à falta às aulasâ€, diz G., 17 anos, ex-aluno de uma escola da Bela Vista.
A opinião é compartilhada por Flávio, 18 anos, aluno da mesma escola. “De sexta-feira alunos vão para o boteco e nem entram na escola, ficam na esquinaâ€, revela.
Já para Alex Amaral, 21 anos, aluno do período noturno, o bares podem ser freqüentados sem causar problemas para as aulas. “Eu freqüento os bares, mas assito às aulas direito. Pouquíssima gente compra bebida láâ€, afirma.
Para Alex, os bares têm sua importância esquecida. â€œÉ importantíssimo. Muitas pessoas vêm pra aula direto do trabalho e, quando chegam, precisam comer algo para agüentar a aula e então vão ao barâ€.
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Deficiência
Ciro Pedro da Silva, dono de bar, defende a presença dos estabelecimentos lembrando, também, dos problemas que as escolas têm para manter os alunos estudando. â€œÉ preciso manter o aluno dentro da sala de aula. Se eles saem, botam a culpa no bar. E a culpa não é dos bares, mas da escola. Os alunos sairiam mesmo sem existir o barâ€, diz.
Um dono de bar, que não quis se identificar, chamou a atenção para outros problemas. “O pior para as escolas não são os bares, mas o tráfico de drogas, que acontece na porta das escolas. Além disso, a educação escolar tem sofrido muito. Os alunos têm mais liberdade que os professores na escola. Enquanto tudo isso ocorrer, não adianta fechar os bares.†avisou.
Eles apontam também, como motivo de permanência dos bares em seus locais, a tradição e o tempo de instalação. Alguns bares são mais antigos do que as próprias escolas localizadas próximas. “O bar aqui tem mais de 30 anos, e nunca tivemos problemasâ€, afirma Denise, funcionária de um bar próximo à escola Ernesto Monte, nos Altos da Cidade.