Cultura

Oscar: ainda resta uma esperança

Por Da Redação | Com agências Estado e Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Pode parecer brincadeira, mas não é. O Brasil está presente, sim, no Oscar em 2003. Não com seu principal e esperado representante, o filme “Cidade de Deus”, mas com o cantor Caetano Veloso, intérprete da música “Burn it Blue”. A música, do filme “Frida”, concorre como melhor canção original.

Caetano foi convidado para cantar “Burn it Blue” pela cantora mexicana Lila Downs, com quem divide a interpretação. A música faz parte da trilha sonora e está à venda em CD. No filme, ela aparece somente no final, quando baixam os créditos. Caetano também faz uma ponta no filme “Fale com Ela”, de Pedro Almodóvar, que concorre a dois Oscars (melhor direção e melhor roteiro adaptado). No filme de Almodóvar, ele canta “Cucurucucu Paloma”.

“Burn it Blue” concorre com outras quatro canções: “Father and Daughter”, do filme “Os Thornberrys”; “The Hands That Built America”, gravada pelo U2 para o filme “Gangues de Nova York”; “I Move On” (“Chicago”); e “Lose Yourself”, de Eminem (“8 Mile”).

“Burn it Blue” é uma forte concorrente ao Oscar na categoria, mas a canção que parece ser a favorita entre os norte-americanos é a interpretada pelo U2 para “Gangues de Nova York”.

Outras categorias

O filme “Chicago” foi anunciado ontem em Los Angeles como o principal concorrente ao Oscar, que será entregue no dia 23 de março. O musical dirigido por Rob Marshall recebeu 13 indicações, entre elas a de melhor filme e direção.

A grande surpresa foi a indicação de Pedro Almodóvar tanto como diretor como autor do melhor roteiro original por “Fale com Ela”, filme que não foi escolhido pela Espanha como seu representante - o eleito foi “Los Lunes al Sol”.

O diretor brasileiro Fernando Meirelles de “Cidade de Deus” acredita que um dos principais favoritos na categoria é o chinês “Hero”, seguido do mexicano “O Crime do Padre Amaro”.

“A indicação já me deixou satisfeitíssimo, pois considero a competição muito dura”, afirmou, na Cidade do México, o diretor Carlos Carrera. O cinema do México recebeu outras duas indicações: para a atriz Salma Hayek, em “Frida”, e o roteiro original de “E Sua Mãe Também”, de Carlos Cuarón e Alfonso Cuarón.

Ataque de nervos

â€œÉ nessa categoria que acredito ter mais chance e o filme mexicano é o principal concorrente”, comentou Pedro Almodóvar, em Madri, onde acompanhou a divulgação das indicações “com os olhos pregados na televisão e à beira de um ataque de nervos”. Para ele, o diretor favorito a ganhar o prêmio é Martin Scorsese, “pois há uma tendência, nos Estados Unidos, de homenagear toda sua carreira”.

Além de Almodóvar e Scorsese, outro nome forte entre os diretores é o de Roman Polanski, de 69 anos, com “O Pianista”, sobre um sobrevivente do holocausto. Se a indicação assemelha-se a um convite de boas-vindas, o diretor deverá ser preso, porém, se comparecer à cerimônia de entrega. “Ele é um criminoso e um fugitivo”, afirmou ontem Sandi Gibbons, porta-voz do escritório de advogados do distrito de Los Angeles.

“A longevidade não o exime de seus crimes.” Polanski foi considerado culpado por estupro e outros cinco crimes em 1977, quando teria mantido relações sexuais com uma menor.

Um dos crimes teria acontecido na casa de Jack Nicholson que ontem bateu seu recorde pessoal de indicações ao ser nonimado pela 12.ª vez, agora por “As Confissões de Schmidt”. Já Meryl Streep consagrou-se como a atriz que mais vezes foi indicada na história do Oscar, somando agora 13 vezes. Desta vez como coadjuvante, por “Adaptação”.

“Por isso, sou a atriz que mais derrotas acumulou”, comentou ela, depois de ter recebido o Globo de Ouro pelo mesmo papel. â€œÉ sempre uma sensação boa, mas, ao mesmo tempo, que provoca muito nervosismo.”

Outro veterano nas indicações é Paul Newman, que concorre como coadjuvante por “A Estrada da Perdição”. Com Renée Zellweger, Richard Gere e Catherine Zeta-Jones à frente, “Chicago” conta a história de duas cantoras rivais, o que resulta em crimes passionais. A produção também foi uma das favoritas no Globo de Ouro passado e, em sete semanas de exibição nos Estados Unidos e Canadá, já arrecadou US$ 63,8 milhões.

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