Bairros

Imóveis invadidos chegariam a 192

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Só não há mais casas “depenadas” do Núcleo Nova Bauru porque muitas foram invadidas, acredita Ana Lúcia Guerra da Silva, presidente da associação de moradores do bairro.

Ao fazer um levantamento do número de alunos existentes no bairro, ela questionou sobre a propriedade das casas e descobriu que muitas estavam sendo habitadas irregularmente.

“Tem 192 casas invadidas, algumas por arruaceiros, bandidos, mas muitas por famílias de boa-fé, que não têm dinheiro para pagar o aluguel”, explica. Ana Lúcia ressalta que não é contra as invasões desde que os moradores não causem problemas para o bairro.

Lindalva Gomes da Silva, que confessa ter invadido uma casa porque não tinha onde morar com os quatro filhos e o marido, diz que gostaria de legalizar os documentos. “Um funcionário da Caixa já veio aqui, mas nós não temos condições de pagar o que eles querem. Pediram R$ 700,00 de entrada e que a gente assumisse as prestações”, conta ela.

Com o marido fazendo bicos de eletricista, Lindalva diz que é impossível pagar o valor pedido pela CEF. “Só se tirar da boca das crianças. A gente entrou na casa e até colocou porta, janela, que não tinha, mas não dá para pagar tudo isso”, conta.

A família está morando na casa desde setembro do ano passado. “Não tinha ninguém, então entramos. Nunca apareceu dono”, relata. Desde então, o maior problema da família tem sido o abastecimento de água. “Não tem água aqui, nem relógio do DAE tem. A gente empresta água do vizinho até para tomar banho”, conta.

André Luiz Paulo Ferreira, que também invadiu uma casa, enfrenta a falta de água. “A gente não paga aluguel, mas não tem água. Tem que tomar banho e lavar roupa na casa da sogra, na Vila São Paulo”, diz. Desempregado, ele e a mulher mudaram-se para uma casa vazia do bairro há cerca de um ano.

Sílvia Helena Ramos de Oliveira conta que já teve problemas com invasores. “Entrou um pessoal barra pesada numa casa em frente da minha. Eles só foram embora depois que conseguimos que o DAE cortasse a água e a CPFL desligasse a luz”, lembra.

Mas ela ressalta que não é contra as invasões desde que os moradores não causem problemas aos vizinhos. â€œÉ melhor que deixar a casa vazia para ser destruída ou usada por ladrões. Se invadirem para morar, tudo bem”, frisa.

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