A Administração de Bauru consegue limpar apenas 30% das cerca de 4 mil bocas-de-lobo da cidade, por ano. Em média, 600 delas são desobstruídas, mas pelo menos outras 2 mil deveriam ter os detritos e entulhos retirados anualmente para dar vazão à água da chuva. Se isso acontecesse, a administração municipal poderia evitar em 40% as ocorrências de lâminas de água e inundações em vias públicas da cidade, indicam dados oficiais.
De acordo com o secretário das Administrações Regionais (Sear), Arlindo Figueiredo, sua pasta está impossibilitada de atender a demanda que chega à secretaria porque dispõe de poucos funcionários. Em janeiro, devido à chuva, 35 bueiros foram limpos. Em tempo de estiagem, a média é de 50 por mês.
Atualmente, ele conta com 306 servidores em Bauru para executar esse trabalho, além de pintar e instalar guias, fazer capinação, trabalhar nas operações tapa-buraco em ruas de terra e de asfalto e na manutenção de prédios públicos.
“Devido à quantidade de trabalho, nossa equipe merece uma menção honrosa. Para resolver todas as solicitações que recebemos, a secretaria deveria dispor de dez vezes mais funcionários, mas temos de respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). As regionais encaminharam pedido de contratação de 165 funcionáriosâ€, explica.
Segundo ele, o prefeito teria acenado com a possibilidade abrir concurso público, mas não para admitir o total necessário. Figueiredo ainda ressalta que não são todas as bocas-de-lobo que precisam de manutenção, apenas 50% delas. Na opinião dele, o trabalho da prefeitura seria racionalizado, se a população colaborasse não jogando lixo nos bueiros.
Concorda com ele a Secretária do Planejamento, Maria Helena Rigitano, que defende a conscientização por parte dos munícipes.
“Temos a obrigação de limpar, mas o povo tem a obrigação de preservar limpo, porque utilizamos recursos públicos para desobstruí-los. A limpeza das bocas-de-lobo ajudaria muito no escoamento das águas, em cerca de 40%, porém não evitaria inundações como as da avenida Nações Unidas e Alfredo Maiaâ€, esclarece.
Opinião semelhante tem o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, que já acompanhou a retirada até de televisores de dentro das bocas-de-lobo. “Uma vez, um senhor achou um paletó no bueiro, o ferveu, o tingiu e o veste até hojeâ€, conta indicando o absurdo.
Grelha
Para evitar problemas dessa natureza, Brito defende a instalação de grelhas nas bocas-de-lobo, o que impediriam a entrada de entulhos. Elas seriam feitas de ferro e seriam instaladas na entrada das bueiros, segurando os detritos.
Defende a mesma idéia o engenheiro e ex-secretário da Sear, Celso Donizete. De acordo com ele, a grelha serviria como uma proteção contra materiais que são transportados pela chuva e que, em alguns casos, acabam por inutilizar as bocas-de-lobo, que ficam entupidas.
Descorda deles a responsável pela Seplan, para quem as grelhas passariam a acumular entulhos nas bocas-de-lobo e, aí sim, ficariam inutilizadas, o que resultaria em mais águas nas ruas.
“Em alguns casos até instalamos grelhas, mas direto no solo, em ruas onde o declive é muito acentuado. Assim facilitamos o escoamento. Porém, a medida é indicada apenas para casos específicosâ€, informa o projetista da Seplan, Adelmo Bertussi .
Reclamações
Há uma semana, a auxiliar de escritório Raquel da Silva presenciou mais uma vez um “chafariz†em plena avenida Comendador José da Silva Marta, nas proximidades do trilho de trem. De acordo com ela, sempre que chove, o volume de água que sai pela boca-de-lobo da via pública é de impressionar.
“Até evito passar aqui em dia de chuva. Fico com o coração na mão. O bueiro deve estar entupido há muito tempo porque a água sempre transborda neste trechoâ€, conta.
Também reclama de uma boca-de-lobo o balconista Massami Makita, que trabalha num estabelecimento na esquina das ruas Rio Branco e Bandeirantes.
“A Rio Branco vira um rio em dias de chuva, só conseguimos passar de bote. A água passar por cima das bocas-de-lobo e não entra. Já o outro bueiro, na Bandeirantes, em períodos de estiagem, exala um odor muito forte. Insuportável. Sempre pedimos para limparâ€, garante.
Na Rio Branco, a Seplan instalou uma boca-de-lobo com grelhas, juntamente devido à força das águas.
A Sear não soube informar quantas reclamações recebe por dia e garante que não existe um bairro do município onde o problema seja mais recorrente.