O governo de Lula no qual todos depositavam tantas esperanças vai chegando aos 50 dias com as mesmas confusões da largada. Lembra quando o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, defendeu que o Brasil domine o conhecimento para a construção da bomba atômica? Certamente para jogar nos argentinos, nossos parceiros de infortúnio. Mais recentemente o ministro da Segurança Alimentar, José Grazziani, ofendeu os conterrâneos nordestinos de Lula. Esses paus-de-arara que fiquem onde estão. “Se continuarem vindo para cá, vamos ter de continuar andando de carro blindadoâ€. Grazziani é autor das primeiras ações amadorísticas do Fome Zero.
Mancadas à parte, Lula tem sido comparado a FHC na condução da economia brasileira. Depois de criticar a nomeação de Armínio Fraga para o Banco Central, como se o governo anterior tivesse colocado o cabrito para tomar conta da horta, foi buscar Henrique Meirelles, ex-presidente do BankBoston, para o mesmo cargo. Manteve a diretora Tereza Grossi que os petistas cansaram de malhar por causa da sua generosa ajuda em dólares ao banco Marka, do foragido Salvatore Cacciola e ao FonteCindam.
Para controlar a inflação o Comitê de Política Monetária aumentou os juros para 25,5% , contrariando 20 anos de discurso do PT. Tudo com o aval de Palocci, todo poderoso do Ministério da Fazenda, hoje mais para clone de Pedro Malan do que para órfão de Trotsky. Começou seu aprendizado conservador ao privatizar os telefones em Ribeirão Preto, onde foi prefeito e também terceirizou o esgoto. Da mesma forma que o antecessor Malan empurrou com a barriga a tabela de correção do imposto de renda. Perdeu o respeito. Na reunião a portas fechadas com a bancada do PT na Câmara foi grampeado pelos próprios companheiros de partido. Babá, deputado federal pelo Pará, partiu com tudo em cima do ministro: “Não confio em Palocci nem como médicoâ€. Que que é isso?
Há quem afirme que Lula tem a mesma verve de Fernando Henrique, tanto nos papos descontraídos quanto nos discursos tipo “senta-que-o-leão-é-manso†destinado a acalmar a esquerda radical. É aquela cantilena cheia de sensibilidade, exemplos humanos que agradam também os empresários paulistas e ainda fazem sucesso entre os fãs anônimos de plantão na porta do Alvorada.
Quando alguém deixa de aceitar o neo-nhenhenhem, como a senadora Heloisa Helena, sofre admoestações públicas. Há vinte dias ela protestou contra a eleição de José Sarney à presidência do Senado. O próprio PT é que ensinou os eleitores a combater políticos de oligarquias nordestinas como a da família José Sarney. Em nome da governabilidade elegeu o “marimbondo de fogo†para zoar presidência do Senado às custas do PT.
Para um partido que pregou mudanças e novos modelos de gestão e, por isso recebeu o aval de 52 milhões de brasileiros, cumprir metas de arrocho acima do combinado com o FMI é difícil de entender. Também não precisava o nosso presidente trocar beijinhos com Anne Krueger em Davos, depois de anos amaldiçoando-a desde São Bernardo.
É evidente que o déficit da Previdência precisa de uma solução urgente para não deixar as crianças de hoje sem aposentadoria na velhice. Mas também não precisava o ministro do Trabalho, Jaques Wagner, logo de cara posicionar-se contra a multa de 40% sobre o saldo do FGTS, aplicada no caso de demissão. Há cerca de 15 dias o MST fechou estradas e prendeu funcionário do governo de Alagoas para manifestar-se contra Lula. O ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rosseto, ex-vice-governador do Rio Grande Sul que se notabilizou por sair na frente para ajudar a invasão de terras, dessa fez ficou quietinho.
Aqui em Bauru o PT não comete gafes, mas também não arrisca nada. A ponte está caindo, vereadores vão para o paredão e o Batata mais quietim que minerim. Nada a declarar... Curte a gravidez da Estela que começou justamente na última campanha. Enquanto os companheiros se ralavam, mas de subir em postes para fixar cartazes, o distinto casal tratava de aumentar o eleitorado a seu modo. Cada um rala como quer. Desta vez vai ser menina. Bem-vinda ao Brasil petista. (O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC)