Começamos no século passado. Crescemos, tornando-nos a locomotiva maior, no trem da economia paulista. Éramos a pujança financeira, dentro do Estado mais rico da Nação brasileira, São Paulo. Atravessamos diversos processos políticos, ditaduras, governos de centro, de direita e de esquerda. Sobrevivemos. Formados por uma plêiade de bons funcionários, caminhamos céleres, buscando o progresso, financiando o desenvolvimento. Éramos uma sólida empresa financeira, sustentáculo maior das atividades econômicas de São Paulo, estado forte e promissor, orgulho deste nosso país. O Banespa foi, nas últimas décadas , a alavanca que deu propulsão ao desenvolvimento agrícola, industrial e tecnológico, financiando o futuro, que logo haveria de chegar.
A nova era, aos poucos foi chegando. A cibernética tomou conta da nossa rotina diária. As máquinas avançaram a tal ponto de serem capazes de realizar, em alguns minutos, as mais complicadas tarefas que muitos funcionários demorariam horas ou talvez dias para concretizá-las. De maneira fantástica, percebemos à nossa volta uma evolução constante em todos os setores da sociedade. Bens de consumo, ferramentas, máquinas, eletrodomésticos, instrumentos de comunicação, telefonia, automação, enfim, tudo o que nos cerca, se modernizou. A era moderna está entre nós. Chegou para ficar. Mas, infelizmente, paralelamente a toda essa ostentação tecnológica, respaldada pelo capitalismo selvagem e massacrante, o ser humano foi relegado a segundo plano, considerado um objeto descartável, um simples número, que poderá ser, usando a linguagem técnica dos novos tempos, “deletado†quando bem queiram, aqueles poucos que comandam muitos, numa tirania gritante, pouco e fracamente contestada. Éramos por volta de 30.000 funcionários antes de 1994. Após a malfadada intervenção do governo, em 1995, restaram algo em torno de 20.000 . Hoje, no limiar deste novo século não passamos de 10.000. A política capitalista, agressiva, cujo interesse maior é o lucro exorbitante, ignora todos aqueles que, década após década, construíram este patrimônio sólido e altamente lucrativo. Entre estes primorosos construtores estão os aposentados do Banespa. Dedicaram, eles, uma vida de luta e labor ao Banco do Estado de São Paulo. Hoje, fazem parte das lembranças embutidas nas fotos desbotadas pelo tempo. Relegados foram a um ostracismo cruel, nunca lembrados, nem mesmo nos índices de reposição salarial que lhes são devidos. E, neste exato momento de nossa reflexão, alguém apregoa para estejamos juntos para um grande futuro! Que futuro? Quais serão nossas reais perspectivas? Poderá o homem reconsiderar o valor de seu semelhante, em detrimento da máquina que ele mesmo fabricou e que o hoje quase o domina? É claro que não devemos regredir, mas o ser mais perfeito por Deus criado nunca deveria perder o seu valor, nem ser sumariamente substituído por um robô! Somente o homem tem vontade própria, aspirações, pensamentos e idéias. Finalizando, acreditamos na verdadeira afirmação de que, o homem que trabalha, sem sofrer qualquer tipo de pressão ou injustiça, poderá usufruir de todo o seu potencial, almejando um grande futuro, contribuindo para o sucesso coletivo de sua comunidade. Gostaríamos que a diretoria do Banespa-Santander pensasse sobre o assunto. (Fernando Lucilha Júnior - aposentado do Banespa - BAURU-SP RG 5023414 Fone 3276.3568 ou 97935690).