Saúde

Aparelhos oferecem resistência gradual

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

O grande diferencial do Método de Pilates é que os exercícios podem ser feitos em aparelhos que oferecem resistência gradual à execução dos movimentos. Barras, pranchas, alças e molas reduzem a ação da força da gravidade, permitindo a execução das atividades até mesmo por pessoas debilitadas.

De acordo com a fisioterapeuta Laura Caramaschi, os aparelhos permitem que o aluno/paciente seja acomodado na posição correta e execute os movimentos sem sofrer qualquer tipo de agressão à musculatura, estrutura óssea ou articulações.

“Por isso, os exercícios podem ser feitos tanto por um mega-atleta que quer se fortalecer e ganhar amplitude de movimento qaunto por um indivíduo que esteja mancando, que tenha tido um derrame e precise reaprender a marcha num dos aparelhos”, observa.

No método de Pilates, o condicionamento é realizado sem dor, sem fazer força e sem repetições enjoativas. Os exercícios são baseados em alongamentos e contrações musculares suaves, a pessoa balança e movimenta o corpo quase como se estivesse se espreguiçando.

Ou como crianças que alongam e distendem os membros numa manifestação de felicidade, que articulam todo o corpo numa simples gargalhada, que dão cambalhotas e fazem estrelas só para ver seus próprios pés soltos no ar.

Na verdade, o objetivo do método de Pilates é manter ou recuperar a capacidade natural do corpo humano de dobrar-se e esticar-se. Pessoas que mantêm a “engrenagem” em movimento podem fazer tantas peripécias quanto os contorcionistas de circo. O problema é que, na prática, o ser humano se deixa “enferrujar” sentado atrás de uma mesa ou largado num sofá.

Segundo a educadora física Raquel Motta, muitos exercícios de Pilates são semelhantes àqueles praticados em academias e outras modalidades esportivas. “A diferença é que você não vai forçar, você faz um abdominal, por exemplo, sem sentir dor e sem correr o risco de machucar as costas”, ressalta.

As instrutoras explicam que as atividades de Pilates ensinam o indivíduo a conhecer seu próprio corpo, a identificar quais estruturas são necessárias para realizar cada gesto. Desta forma, ela aprende a poupar outros músculos ou ossos que seriam usados desnecessariamente.

“Com o tempo, a pessoa aprende a dissociar cada parte do corpo sem compensar em outra região, ou seja, ela aprende a fazer uma flexão de membros, por exemplo, sem movimentar o quadril ou o tronco, como a maioria das pessoas faz”, acrescenta a fisioterapeuta Nídia Kerr Nogueira.

Para isso, é preciso reunir uma série de condições simultaneamente, como respiração, concentração, coordenação, alinhamento postural. São oito princípios que fundamentam o método. “Eles dão o suporte para você ensinar o paciente a realizar os movimentos com controle, de modo que eles não sejam destrutivos”, comenta Caramaschi.

Os exercícios de Pilates também podem ser feitos no solo, sem os aparelhos. Segundo a fisioterapeuta, a vantagem dos aparelhos é que eles dão uma assistência ao movimento.

“Eles ajudam a pessoa a manter o corpo no alinhamento correto, eles preparam o indivíduo para que ele seja desafiado no solo depois, ou seja, para que ele consiga realizar o movimento no solo sem se machucar, mantendo o comprimento de coluna, respirando coordenadamente sem tensionar nem fazer um gesto compensatório”, salienta.

â€œÉ um trabalho com muitos detalhes. Qualquer pessoa pode fazer o exercício de subir o quadril (em posição de ‘v’ invertido). Você vai subir apertando os glúteos. Mas não é assim. Você tem que levar o púbis para cima, uma musculatura que a maioria das pessoas nunca nem sentiu”, acrescenta Motta.

Questionadas sobre pessoas cujos corpos já se habituaram ao movimento inadequado, as instrutoras garantem que a técnica de Pilates pode reverter o quadro facilmente. “O corpo é super plástico. Ele está daquele jeito porque você deu aquela informação para ele. Basta você mudar a informação que, aos poucos, o corpo vai mudando também”, esclarece a educadora física.

A advogada Taciana do Vale, 23 anos, pratica natação e musculação há vários anos. Ela iniciou a prática de Pilates há apenas um mês e garante que já nota bons resultados. “Estudo muito, então passo a maior parte do dia sentada. Eu tinha muita dor na coluna por isso. O Pilates está me dando sustentação do abdômen, o corpo não despenca mais e as dores praticamente desapareceram”, conta.

A mãe dela, Sílvia Ferreira do Vale, 59 anos, também aderiu à técnica. “Minha experiência é mais recente - eu fiz duas aulas até agora, mas gostei muito. Eu faço ginástica há muito tempo e isso é diferente de tudo o que eu já fiz. A coordenação tem que ser mais trabalhada, a respiração também. Aliás, hoje eu já presto mais atenção à minha respiração mesmo nas atividades do dia-a-dia”, observa.

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Técnica surgiu há 80 anos

A técnica foi criada há cerca de 80 anos pelo alemão Joseph Hubertus Pilates. Criança asmática e frágil, Pilates queria ser atleta. Trabalhou a fundo, pesquisou, venceu suas limitações e criou um método que recuperou sua saúde. Aos 14 anos ele praticava ginástica, esqui, mergulho, boxe e atividades circenses.

Em 1914, durante a primeira Guerra Mundial, foi exilado num campo de concentração na Inglaterra. Trabalhando na enfermaria, ele pôde comprovar a eficácia do trabalho que vinha desenvolvendo para si desde a infância. Para ajudar na recuperação dos feridos, propunha exercícios realizados com as molas das macas - um sistema que seria precursor de equipamentos que ele criaria depois.

Em 1923 Pilates mudou-se para Nova York, onde abriu seu primeiro estúdio. Mas foi só na década de 40 que seus exercícios ganharam notoriedade, quando foram descobertos pela comunidade dos dançarinos, que se tornariam o principal difusor do método.

Pilates morreu em 1967, aos 87 anos, depois de ter inalado uma grande quantidade de gases tóxicos tentando salvar seus equipamentos de um incêndio.

Seu repertório original tinha 34 exercícios, mas seus alunos foram acrescentando características próprias à técnica e outros movimentos. Entretanto, o foco em fortalecimento e alongamento do corpo permanece como ingrediente essencial do treino.

A técnica chegou ao Brasil no início dos anos 90. Em Bauru, o método é usado pela educadora física Raquel Motta desde 2001 e pelas fisioterapeutas Laura Caramaschi e Nídia Kerr Nogueira há seis meses.

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