A chuva que desabou sobre Bauru na madrugada de ontem agravou a situação já caótica da cidade. Nos bairros e no Centro, a água abriu buracos e erosões e colocou em risco a situação de diversas casas.
Essa foi a mais forte chuva na cidade desde a noite do dia 24 de janeiro, em que foram registrados 59 milímetros de precipitação. Das 3h às 9h de ontem, foram 44,7 milímetros.
A pancada mais forte de chuva caiu entre 5h e 5h40. Os bauruenses assistiram mais uma vez às cenas de desespero na avenida Nações Unidas, que teve trechos de inundação.
Ao menos cinco carros foram carregados e até cobertos pelo “rio†em que se transformou a avenida. Seis pessoas ficaram ilhadas no meio da enxurrada. Elas foram socorridas por uma Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros e socorridas no Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central com ferimentos leves.
Um carrinho de lanches foi arrastado por cerca de 400 metros na avenida Nações Unidas e só parou próximo ao Terminal Rodoviário.
O casal Moacir Rocha Porfírio, 77 anos, e Zilá Bueno Rocha, 74 anos, transitavam em um Uno pela avenida Nações Unidas no momento da chuva. O carro foi arrastado pela enchente e ficou cheio de água. Eles foram socorridos pelos bombeiros.
“Se não fossem os bombeiros, acho que teríamos morridoâ€, diz Porfírio.
No Jardim Nova Celina, uma casa localizada na quadra 7 da rua Waldemar Gregório de Moraes apresentou risco de desabamento e foi interditada. Os três moradores estão na casa de parentes.
A comunidade local mobilizou-se para que as rachaduras do imóvel não acarretasse um incidente maior. “O pessoal se uniu com enxadas para cavar uma vala e tentar fazer com que a água escoasse para fora da casaâ€, conta o vizinho Aparecido Tertuliano.
Outro grave problema detectado pela Defesa Civil é a erosão na avenida Rodrigues Alves, nas proximidades do Horto Florestal.
Com a chuva do dia 24 de dezembro, formou-se um buraco no local provocado pelo rompimento de tubulação subterrânea. Como o reparo não foi feito em tempo, o problema agravou-se com a chuva de ontem e a pista no sentido bairro-centro foi interditada.
“O problema pede uma obra definitiva. Existe o risco de que a outra pista tenha que ser interditadaâ€, destaca Álvaro de Brito, chefe da Defesa Civil em Bauru.
O motorista Ademir Barbieri estava na avenida Rodrigues Alves durante a chuva e diz que passou por momentos de tensão. “Estava terrível; um caos. Eu tentava sair dos pontos de alagamento, mas sempre caía em outro. Os semáforos não estavam funcionando e eu vi alguns acidentesâ€, diz.
Trabalho perdido
De acordo com Brito, o trabalho realizado pela Prefeitura de Bauru na avenida Comendador José da Silva Martha, no final do ano passado, foi perdido.
“O Córrego Água da Ressaca transbordou e passou por cima da rotatória. Asfalto foi levado, a pista ficou cheia de entulho e a passagem está precáriaâ€, relata.
No Ferradura Mirim, uma erosão nasceu próximo às avenidas Natal Fornazari e José Jorge Schneider, local em que recentemente foram implantadas galerias de águas pluviais.
O Parque Bauru, existe o risco de surgir uma nova erosão no local em que uma antiga foi combatida pela Prefeitura. “O local pede galerias de grande diâmetroâ€, afirma Brito.
A avenida Getúlio Vargas, nas proximidades do entroncamento com a Nossa Senhora de Fátima, na Vila Aviação, também foi tomada pela enxurrada. Uma erosão às margens da avenida preocupa o chefe da Defesa Civil.
O problema de ruas intransitáveis, buracos e enchentes foi detectado em outros diversos pontos da cidade.
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“Falta qualidadeâ€, diz Brito
Uma das formas de amenizar as conseqüências das chuvas em Bauru é realizar obras de qualidade e trabalho preventivo. Essa é a opinião do chefe da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito.
“Fazemos muitas obras primitivas. Não há um plano de qualidade, um programa de qualidade total. O serviço tem que ser feito com muita qualidade para não ter de ser refeito. Hoje, a qualidade total é tudo numa empresa e a prefeitura tem de ser vista como uma empresaâ€, afirma.
Segundo Brito, o maquinário da Prefeitura de Bauru é ultrapassado e as equipes são insuficientes. “O ideal é que a prefeitura tivesse uma estrutura para atender essas situações. Mas, infelizmente, ela não temâ€, critica.
O coordenador da Defesa Civil enfatiza que a situação da cidade é preocupante. “O que não se faz de março a dezembro, não se faz de dezembro a março. Precisamos ter uma consciência preventivaâ€, diz.
Ele enfatiza que economias em obras importantes podem significar prejuízos futuros aos munícipes e ao poder público.