Marília - O capitão da Polícia Militar (PM) Celso Aparecido Monari, 39 anos, acusado de ter envolvimento com o tráfico de drogas, prestou depoimento ontem à tarde em Marília e negou as acusações que foram feitas contra ele na semana passada por um dos três homens presos quando da apreensão de um carregamento de maconha, em Assis.
Após o depoimento, a Polícia Federal descartou, por enquanto, indiciar ou pedir a prisão temporária do capitão. “Pelo que tenho até agora nos autos, não poderia pedir a prisão deleâ€, afirmou o delegado Washington da Cunha Menezes, de Marília, responsável pelo caso.
Ontem, o capitão negou envolvimento no esquema e abriu os sigilos bancário, fiscal e telefônico para a polícia. Com isso, o delegado espera concluir o inquérito até a próxima semana.
Segundo a Polícia Federal, o laudo sobre as ligações dos celulares apreendidos com os três homens em Assis deve ficar pronto até sexta-feira. Esse levantamento pode mostrar, por exemplo, se os presos fizeram contato com o capitão durante o trajeto, como afirmou um deles.
Após a acusação, o oficial da PM foi recolhido pela Corregedoria e afastado de suas funções por cinco dias. Ele trabalha na Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
A denúncia de que ele estaria envolvido com o tráfico de drogas surgiu após a apreensão de 863 quilos de maconha, na última quinta-feira à noite, em uma ação conjunta da Polícia Federal e a Polícia Rodoviária em Assis, região de Marília. Na ocasião, um dos três homens presos com a droga afirmou que o transporte estava sendo feito a mando do capitão Monari.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) disse no domingo que pediu rigor nas investigações e afirmou que “o caso deve levar apenas alguns dias para ser esclarecidoâ€.
“Se tiver qualquer envolvimento, o policial será exemplarmente punido pela corporação e terá todas as sanções que a gravidade do caso exige. Não porque está no palácio, mas por ser um capitão da PM. Mas, se (o caso) não tiver procedência, tem de ser esclarecido. Não se pode imputar a uma pessoa algo que não seja corretoâ€, ponderou.
O entorpecente em questão estava escondido num fundo falso entre o assoalho e o porta-malas de um ônibus de viagem antigo que, segundo a polícia, foi desmontado, reformado e remontado para que a droga pudesse ser transportada sem despertar a atenção principalmente de policiais.
Marcos Roberto Fernandes, 32 anos, que dirigia um dos dois carros que fazia escolta ao ônibus, afirmou que trabalhava para o capitão.
O registro de uma ligação do celular de Fernandes para o telefone da residência de Monari, horas antes da prisão, aumentou a suspeita contra o policial.
Fernandes disse que tinha sido contratado pelo PM para levar a droga de Paraguaçu Paulista para Barueri (Grande SP).
Segundo o coronel Roberto Allegretti, chefe da Casa Militar o capitão mora em Cangaíba, (zona leste de SP), onde é “muito conhecidoâ€. Isso poderia justificar que a quadrilha tivesse o telefone de Monari, já que segundo o coronel, parente de um dos acusados seria vizinho do capitão.