O sonho da casa própria tem virado pesadelo para moradores do Núcleo Habitacional Quinta da Bela Olinda, em Bauru.
As casas construídas há cerca de quatro anos apresentam, segundo os moradores, vários problemas de infra-estrutura, que têm se agravado durante o período de chuvas. Eles alegam que as residências foram mal-construídas e que freqüentemente apresentam problemas de rachaduras e infiltração nas paredes. Além disso, as moradias foram erguidas em um terreno desnivelado, próximo a declives, onde existe a formação de diversos barrancos, que têm aumentado a cada chuva e ameaçado as construções.
De acordo com os moradores, muitas telhas não resistem à força das águas e são constantes os problemas com goteiras e até mesmo inundações. “Quando a gente mudou para cá caiu uma chuva forte e o telhado que eles colocaram aqui não foi bom. Então, entrou água dentro das casas, destelhou casas, o forro não suportou a água e desceuâ€, afirma a moradora Rosimar Oliveira de Souza, que mora no núcleo há quatro anos. Segundo ela, o local apresenta problemas desde que foi entregue, mas com o passar dos anos as deficiências têm se tornado mais evidentes. “Durante a chuva piora porque, como os terrenos são em declínio, as águas descem e entram por debaixo das casasâ€, relata.
A moradora afirma que, além dos problemas de rachaduras na parede da casa, o espaço do terreno de seu quintal está sendo comprometido com as chuvas. Ela alega que, como no local não foi construído um muro de arrimo, o terreno está cedendo e pode ameaçar a estrutura da construção. “Eles (da Cohab) falaram que a gente que tem que construir o muro de arrimo, só que a gente não tem condições. A gente paga uma casa de R$ 130,00 por mês, você acha que a gente vai ter condições de erguer um muro de arrimo que vai gastar quase R$ 6 mil?â€, desabafa.
Segundo a moradora Fabiana Maria da Silva, que conseguiu comprar no local a sua primeira casa própria, as rachaduras são um problema constante e que tem se agravado com o passar dos anos. “Eu estou com medo da casa cair. Está horrívelâ€, afirma.
Na casa do morador Silvio Rodrigo Fischer, parte do terreno vizinho está deslizando no seu quintal. Ele começou a construir um muro para segurar o barranco, mas as chuvas dos últimos dias já comprometeram a obra. “Eles deviam fazer um serviço de engenharia aqui. Eles (Cohab) deveriam construir um muro de arrimo de fora a fora. Eu sou pedreiro e até poderia fazer isso aí, mas eu não tenho condições. Sai muito caro e eu estou desempregadoâ€, afirma.
Segundo a presidente da comissão de moradores do bairro, Matilde Estevão, os problemas de infra-estrutura das residências são graves e os moradores não têm condições de arcar com essas despesas. “Os moradores que pegaram essas casas são todos moradores que trabalham e ganham cerca de um salário mínimo, ou até três salários. Eles já não têm condições de pagar a prestação da casa. Agora você imagina fazer um muro de seis metros, que vai gastar na faixa de cinco, seis mil reais. Você entra em sua casa, mas você imagina que a construtora vai terminar a obra, nós imaginamos que não ia ficar assimâ€, afirma.
Segundo a presidente, além desses problemas que podem ser observados na maior parte das 150 casas que compõem o núcleo, a entrada do bairro também não tem asfalto, e no período de chuva o trânsito fica comprometido. De acordo com ela, os moradores já chegaram a ficar quatro dias isolados, sem a entrada de ônibus circulares no local.
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Sem solução
A presidente da comissão do bairro, Matilde Estevão, reuniu várias cartas de moradores que relatam os problemas verificados nas residências. “Eu já estive na Cohab, entrei em contato com o Mogioni (presidente da Cohab, Constante Mogione), expliquei que esse bairro está irregular e eles falam que essa parte não pertence à Cohab, e sim a VAT Engenharia. Só que da VAT a gente não consegue encontrar mais ninguém, porque dizem uma hora que ela foi vendida, outra hora que faliu, então fica aquele jogo de empurra. Agora, a prestação das casas eles vêm cobrarâ€, afirma.
Para ela, as casas foram mal-construídas e alguém deve se responsabilizar pelos reparos. “As casas foram mal-feitas e eu acho que também não tiveram o acompanhamento de um engenheiro. Como é que se constrói uma casa que tem um barranco? Conforme chove, o barranco vai despencando. Não tem condições de você fazer um muro, para dividir o terreno do vizinho, porque a chuva derruba. Como é que uma Cohab e uma Caixa Econômica me libera um dinheiro para construir uma casa aqui?â€, questiona.
A moradora Rosimar Oliveira de Souza assegura que já procurou a Cohab diversas vezes, mas não obteve retorno e, até o momento, ninguém se responsabilizou pela situação. “A gente vai na Cohab, entra com papelada e eles falam que isso não é problema deles. Eles dizem que a gente tem que ir cada um atrás de um advogado e ninguém faz nada. A gente não sabe mais a quem recorrerâ€, desabafa.