Bairros

Chuva agrava a situação da ponte

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

A forte chuva que atingiu Bauru na última segunda-feira revelou mais problemas na ponte Ayrton Senna, que liga o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1: pedras, aterro e placas de concreto ao redor da fundação da ponte foram levados pelas águas do rio Bauru. Além disso, a cabeceira da ponte do lado do DI dá sinais de que também está cedendo. O asfalto está desnivelado em mais de um centímetro e blocos da calçada estão rachando.

Na tarde de ontem, seis funcionários da Secretaria Municipal de Obras trabalhavam na ponte, que está interditada desde o dia 7 de janeiro para evitar “estragos maiores”. Os trabalhadores estavam introduzindo canos de metal no asfalto do lado do Núcleo Mary Dota, onde a fundação já está comprometida.

De acordo com o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, os canos servem apenas para monitorar o estado da ponte. “Nós estamos colocando umas referências para continuar o serviço de monitoramento da ponte”, diz, ressaltando que esse serviço começou em dezembro. Um dos canos, instalado no vão da ponte, foi derrubado pela cheia do rio.

Ninguém da empresa responsável pela construção, a Tofer Engenharia, sediada em Piracicaba, estava presente no local durante as obras. Duarte afirma, no entanto, que a colocação dos canos é um procedimento simples, que não altera em nada a estrutura da ponte.

O presidente da Associação de Moradores do Mary Dota, Roberto Lima, afirma que o aterro, as pedras e as placas de concreto levadas pelo rio Bauru serviam de proteção à fundação da ponte Ayrton Senna. “Com a chuva que deu, solapou tudo. O problema era só do lado de lá (Mary Dota), mas agora está acontecendo do lado de cá (do DI)”, diz.

Sob a ponte, Lima aponta que a base do lado do DI está toda exposta à força das águas em caso demais chuva forte. Do lado do Mary Dota, a parede interna do vão começou a abaular, formando uma “barriga”, e surgiram rachaduras verticais. “Se nós estamos com um problema na ponte, o que impede a prefeitura de colocar sacos ou eucalipto para afunilar o rio e proteger o pouco que sustenta a ponte?”, indaga Lima.

“Achômetro”

O secretário Duarte rebate um suposto agravamento nos problemas estruturais da ponte. Segundo ele, essas são afirmações feitas na base do “achômetro”. “Ninguém escondeu que também tem problema do lado do Distrito Industrial. Ninguém falou que aquele lado está intacto. Tem problemas nas vigas dos blocos de lá também”, declara.

Duarte afirma que os materiais levados pelo rio Bauru não serviam de proteção, mas sim de uma rampa de acesso aberta para que máquinas da prefeitura chegassem próximas à base da ponte. As placas de concreto teriam sido utilizadas para acomodar o tripé de um equipamento de monitoramento de nível.

Quanto ao desnível do asfalto e às rachaduras na calçada, o secretário sustenta que são fatos normais. “Eu estive lá há poucos dias e não notei nada de diferente”, diz Duarte. E completa: “Todos os problemas que têm já foram cadastrados, já estão sendo analisados”. Ele não soube precisar, contudo, se esteve no local após a chuva da última segunda-feira.

De acordo com o secretário, a prefeitura está aguardando parecer técnico de um projetista contratado para inciar as obras de recuperação, que não têm previsão de início.

A reportagem do JC procurou o diretor da Tofer Engenharia, Onei Torquato Ferreira, que representou a empresa em audiência pública realizada no último dia 13 para apurar responsabilidades sobre as falhas na construção da ponte. Segundo uma secretária da empresa, Ferreira estaria em São Paulo e ela não estava autorizada a fornecer outro número de telefone.

Comentários

Comentários