A forte chuva que atingiu Bauru na última segunda-feira revelou mais problemas na ponte Ayrton Senna, que liga o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1: pedras, aterro e placas de concreto ao redor da fundação da ponte foram levados pelas águas do rio Bauru. Além disso, a cabeceira da ponte do lado do DI dá sinais de que também está cedendo. O asfalto está desnivelado em mais de um centímetro e blocos da calçada estão rachando.
Na tarde de ontem, seis funcionários da Secretaria Municipal de Obras trabalhavam na ponte, que está interditada desde o dia 7 de janeiro para evitar “estragos maioresâ€. Os trabalhadores estavam introduzindo canos de metal no asfalto do lado do Núcleo Mary Dota, onde a fundação já está comprometida.
De acordo com o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, os canos servem apenas para monitorar o estado da ponte. “Nós estamos colocando umas referências para continuar o serviço de monitoramento da ponteâ€, diz, ressaltando que esse serviço começou em dezembro. Um dos canos, instalado no vão da ponte, foi derrubado pela cheia do rio.
Ninguém da empresa responsável pela construção, a Tofer Engenharia, sediada em Piracicaba, estava presente no local durante as obras. Duarte afirma, no entanto, que a colocação dos canos é um procedimento simples, que não altera em nada a estrutura da ponte.
O presidente da Associação de Moradores do Mary Dota, Roberto Lima, afirma que o aterro, as pedras e as placas de concreto levadas pelo rio Bauru serviam de proteção à fundação da ponte Ayrton Senna. “Com a chuva que deu, solapou tudo. O problema era só do lado de lá (Mary Dota), mas agora está acontecendo do lado de cá (do DI)â€, diz.
Sob a ponte, Lima aponta que a base do lado do DI está toda exposta à força das águas em caso demais chuva forte. Do lado do Mary Dota, a parede interna do vão começou a abaular, formando uma “barrigaâ€, e surgiram rachaduras verticais. “Se nós estamos com um problema na ponte, o que impede a prefeitura de colocar sacos ou eucalipto para afunilar o rio e proteger o pouco que sustenta a ponte?â€, indaga Lima.
“Achômetroâ€
O secretário Duarte rebate um suposto agravamento nos problemas estruturais da ponte. Segundo ele, essas são afirmações feitas na base do “achômetroâ€. “Ninguém escondeu que também tem problema do lado do Distrito Industrial. Ninguém falou que aquele lado está intacto. Tem problemas nas vigas dos blocos de lá tambémâ€, declara.
Duarte afirma que os materiais levados pelo rio Bauru não serviam de proteção, mas sim de uma rampa de acesso aberta para que máquinas da prefeitura chegassem próximas à base da ponte. As placas de concreto teriam sido utilizadas para acomodar o tripé de um equipamento de monitoramento de nível.
Quanto ao desnível do asfalto e às rachaduras na calçada, o secretário sustenta que são fatos normais. “Eu estive lá há poucos dias e não notei nada de diferenteâ€, diz Duarte. E completa: “Todos os problemas que têm já foram cadastrados, já estão sendo analisadosâ€. Ele não soube precisar, contudo, se esteve no local após a chuva da última segunda-feira.
De acordo com o secretário, a prefeitura está aguardando parecer técnico de um projetista contratado para inciar as obras de recuperação, que não têm previsão de início.
A reportagem do JC procurou o diretor da Tofer Engenharia, Onei Torquato Ferreira, que representou a empresa em audiência pública realizada no último dia 13 para apurar responsabilidades sobre as falhas na construção da ponte. Segundo uma secretária da empresa, Ferreira estaria em São Paulo e ela não estava autorizada a fornecer outro número de telefone.