Mário de Andrade, escritor paulistano que falecei há 28 anos, no dia 25 de fevereiro, deixando com muitas saudades o cenário da literatura nacional, foi também um amante da nossa cultura popular e precursor dela. Mário de Andrade teve como obra de maior repercussão na sua vida o livro “Macunaímaâ€, cujo nome deste livro é em virtude do personagem principal da obra chamar-se Macunaíma. Criou esse personagem, Macunaíma, inspirado no próprio ente lendário, fantástico e mitológico Macunaíma, que vivia nas florestas amazônicas e se divertia fazendo maldades para os outros, era preguiçoso e eroticamente malicioso, contava mentiras e esperava pelo resultado delas. Mário de Andrade o escolheu para a sua obra, pois queria definir o caráter do povo brasileiro que julgou como sendo mau caráter, malandro, mentiroso e preguiçoso igual ao caráter desse ser da lenda amazônica que chamou de herói de nossa gente. Essa obra aponta para um número de críticas que fez à sociedade de sua época, principalmente a paulistana do início do século XX, pois era paulista. A exploração da mão-de-obra barata em relevante à crise na indústria e no café que abalou todo o País. O Brasil, assim como todo o mundo civilizado, sofreu os efeitos da grande crise econômica mundial proveniente da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), que atingiu principalmente o nosso produto de exportação, o café. No decorrer da primeira década do século XX, o comércio e a indústria ganharam impulso, os centros urbanos aumentaram, principalmente em São Paulo, e o processo de industrialização se intensificou e novas classes sociais surgiram: a burguesia industrial, o proletariado e as classe médias urbanas. Por outro lado, as condições eram precárias, a jornada de trabalho era acima de 14 horas, sem descanso remunerado e sem pagamento de horas extras; não existia regulamentação do trabalho infantil e feminino, não havia assistência médica, previdência social e nem indenização ou assistência por acidentes de trabalho. Era assim o início do século XX na “Paulicéia desvairadaâ€. Estes fatores sociais, que tiveram uma larga influência no Modernismo brasileiro, também foram inspirações para a obra “Macunaíma†do escritor Mário de Andrade.
Vê-se que no Brasil de hoje não há muita diferença, ou melhor, piorou muito quando se avalia a corrupção dilacerada e enlouquecida que corre como o vento, feito u a máquina que passa por cima de vidas em se pensando que todo esse dinheiro roubado por alguns dos vereadores, senadores, deputados, prefeitos, ex-presidentes e seus secretários, que diariamente aparecem em colunas dos mais variados jornais do Brasil por acusações de envolvimento com vários escândalos de corrupção e desvio de verbas. Poderia ser aplicado na saúde e na educação pública por exemplo. E a vergonha nacional não pára aí, alguns empresários são manchete desses mesmos jornais porque exploram funcionários e infringem todas as leis trabalhistas, matam jovens amantes quando essas deixam de sonhar e decidem pelo fim de relacionamentos ilícitos. Buracos nas ruas, obras mal feitas, que põem em risco vidas de seres humanos, feitas às pressas antes das eleições para conseguirem seus votos e continuarem detentores do poder. Pais que abusam sexualmente de seus próprios filhos e até os matam e filhos que também matam seus pais. Quando a mentalidade dessas pessoas vai mudar? Quando haverá paz no mundo e justiça social aqui no terceiro mundo? Quando o dinheiro público será gasto com o social? Enquanto a resposta dessas perguntas não chega, ficamos com a mensagem do personagem de Mário de Andrade, Macunaíma: “muita saúva e pouca saúde os males do Brasil sãoâ€. (Marcelo Carneiro - RG: 25.312.575-3)