Regional

Derivado do alho pode inibir câncer

Por Douglas Braz | repórter da Tribuna
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - Testes iniciais de uma equipe de pesquisadores liderada pelo médico Antônio Carlos Massabni, do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, indicam que um aminoácido derivado do alho pode ser um eficiente remédio no combate ao câncer. O objetivo maior da pesquisa, financiada pela Fapesp, é descobrir uma cura sem os efeitos colaterais dos tratamentos quimioterápicos tradicionais.

Massabni explica que testes in vitro deste derivado do alho, em combinação com o paládio (um metal nobre do grupo da platina), apresentaram resultados positivos. Aplicado em células de câncer cervical humano, o composto não apenas interrompeu o desenvolvimento da doença como chegou a destruir o tumor.

O químico e aluno de doutorado do IQ, Pedro Paulo Corbi, explica que uma das vantagens do novo composto é que o aminoácido é natural, derivado do alho, um condimento já bastante empregado na medicina popular. Por ter uma fonte natural, a expectativa é que o composto tenha uma melhor aceitação pelo organismo.

Outro indicativo de que os efeitos colaterais podem ser menores é que baixas concentrações do composto já se mostraram eficientes nos testes in vitro. Massabni explica que a partir de 170 microgramas por mililitros, o composto de paládio conseguiu “matar” as células tumorais.

Corbi explica ainda que o aminoácido, em combinação com o metal, é solúvel em água e em pH fisiológico. “Isso facilita a aplicação do composto e a distribuição por todo o corpo humano, além de facilitar a excreção.” Os testes iniciais foram realizados pelo pesquisador Cláudio Miguel da Costa Neto, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp, também de Araraquara. Com os resultados foi possível patentear a pesquisa. Agora, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está realizando testes em ratos. “Os resultados iniciais foram positivos”, comemora Massabni.

A equipe de pesquisadores é composta ainda pelo doutorando Alexandre Cuin. No momento, não é possível prever se a aplicação do produto vai se mostrar eficiente em seres humanos, “mas as expectativas são promissoras”, destaca Massabni.

Por ser um produto natural, o novo composto pode ainda representar um custo significativamente menor em relação aos remédios sintetizados em laboratórios.

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