Tribuna do Leitor

Interesse público e publicidade de interesses


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Nos últimos dias, diante de tanta exposição visceral das mazelas de nossa Câmara Municipal, intriga-me a postura adotada por alguns setores da sociedade, bem como por alguns edis.

Ao apresentar-se pela TV Modelo de Bauru a fita gravada demonstrando o diálogo entre dois vereadores, uma sensação de retorno no tempo certamente tomou conta de toda a cidade. Essa guerra de fitas expôs, mais que a podridão disseminada por todos os setores da política nacional, a obliqua intenção de alguns em distorcer os fatos e desviar a atenção para longe do foco principal. A forma como foi obtida a gravação já ficou declarada pelo próprio envolvido, porém levanta-se a cortina de fumaça se tal ato se concretizou com a utilização de equipamentos da TV Câmara, fato até agora sem menor indício de verossimilhança.

Ora, a emissora do Poder Legislativo Municipal é pública e, principalmente, de utilidade pública, não lhe sendo tirado o caráter jornalístico que pode inclusive ser investigativo. No mais, TV Câmara é um órgão de informação, um veículo de comunicação de caráter jornalístico, não podendo sofrer qualquer espécie de censura, devendo ser respeitado o direito de manifestação livre e imparcial. O que se feriu de morte não fora a Constituição, nem tão pouco violou-se a lei de imprensa. Muito pelo contrário, tal servidor, se de fato houvesse utilizado os equipamentos disponíveis para a gravação teria, mais uma vez, prestado um serviço à população local, como aliás lhe é peculiar.

A apuração do vexatório diálogo é ponto de honra para toda a sociedade que alhures já destituiu um presidente da República e, na recente história de Bauru, já cassou mandatos de um vereador e um prefeito. Se fora ou não utilizado equipamento da emissora do Poder Legislativo municipal, é de menor importância, vez que, exatamente por seu caráter público ela deve zelar e informar o povo, seu maior patrocinador, de todas as ocorrências da Câmara. Mesmo não havendo indícios da utilização de tais equipamentos, tenta-se desviar a atenção para qual equipamento gravou.

A propriedade do equipamento tiraria o caráter denunciante da fita? Alteraria a realidade de seu conteúdo? Mudaria a história?

Inverter o ângulo de investigação é um péssimo exemplo de corporativismo e má-fé, tanto de nossos vereadores, como de parte dos órgãos de imprensa. É ceifar a TV Câmara de sua função primordial de investigar e informar matérias de interesse público tornando-as públicas. Certamente o Ministério Público do Estado de São Paulo, sempre diligente na apuração de denúncias similares e, até mesmo, o Conselho de Ética da Câmara Municipal de Bauru não se deixarão enganar por tal manobra e colocarão acima dos interesses pessoais e nebulosos o interesse público, não medindo esforços para esse fim. (Sérgio Eduardo Mangialardo - OAB/SP 121.888)

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