Rural

Orgânicos da região obtêm certificação

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Produtores rurais orgânicos da região de Bauru deverão ver suas vendas crescerem a partir deste mês com a obtenção de um selo de qualidade. Há cerca de duas semanas, a Associação de Produtores Rurais Orgânicos do Centro-Oeste Paulista (Aprocop) foi informada de que o Instituto Biodinâmico (IBD) garantiu o certificado de qualidade de orgânicos produzidos por seus integrantes.

De acordo com a engenheira agrônoma Larissa Cirillo de Rezende Barbosa, da diretoria da Aprocop, o selo da IBD confere à produção orgânica trânsito livre em supermercados ou restaurantes. “Se não houver certificado que garanta que o produto é orgânico, não há como o consumidor ter a certeza de que é orgânico”, diz.

Atualmente a Aprocop tem certificado de qualidade para palmito de pupunha, café, abacaxi, laranja e hortaliças em geral, produzidas por agricultores de Bauru, Piratininga, Avaí, Arealva, Iacanga e Garça, sede da associação. Larissa diz que também está pleiteando o selo para as produções de banana, mandioca, milho e lichia.

A agrônoma conta que, da criação da associação até a obtenção do certificado, se passaram menos de três anos. Para aprimorar a técnica da produção orgânica e mercadologia, a Aprocop contou com programas do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), como o Sistema Agroindustrial Integrado (SAI) e o Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Segundo Larissa, com a certificação do IBD o produto orgânico da região ganha, inclusive, reconhecimento internacional de qualidade. As normas, diz a agrônoma, diferem de acordo com a entidade escolhida para as inspeções e certificações. “Cada produtor ou associação tem que escolher uma certificadora. A maioria é internacional, e cada uma tem suas normas”, declara.

Larissa afirma que, além da produção sem uso de agrotóxicos, há uma “preocupação social” por parte das certificadoras. “Todos os trabalhadores devem ser registrados, com condições de moradia, e tem também a questão do meio-ambiente: a produção deve ser totalmente correta, preservando rios e matas”, diz.

Após concluir as primeiras certificações, Larissa conta que o próximo passo da Aprocop é criar uma central de comercialização, com o objetivo de facilitar a venda da produção. Segundo a agrônoma, o mercado de orgânicos cresceu 50% no ano passado em relação a 2001.

Vendas

O produtor rural Massao Sassaki, de Bauru, associado à Aprocop, está apenas esperando receber a carta de aprovação da qualidade de seus produtos para começar as vendas na cidade. Atualmente ele produz em seu sítio cerca de 3 mil pés de tomate, entre 500 e 1.000 pés de hortaliças em geral, além de outros legumes, como pepino, quiabo e pimentão.

Segundo Sassaki, alguns de seus produtos já são comercializados em feiras-livres, mas apenas a certificação obtida no início do mês pode garantir retorno ao investimento na produção orgânica, cujos custos são mais altos.

Para viabilizar as vendas, Sassaki está se unindo a outros produtores próximos. Antônio Rubens Neto, também de Bauru, está produzindo hortaliças e tomate. Maurício Nanni, de Avaí, produz abacaxi e pretende certificar sua produção de ovos orgânicos.

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