Bairros

Impasse mantém moradores em praça

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Já chega ao quarto dia o drama das famílias desabrigadas no Jardim Ferraz. Cerca de 30 pessoas permaneciam, até o final da noite de ontem, acampadas em uma praça pública do bairro, com seus móveis e objetos pessoais, e sem as mínimas condições de infra-estrutura. Grande parte do grupo é composto por crianças. No final da tarde de ontem, cogitou-se a possibilidade de o grupo ficar provisoriamente no Centro Comunitário da Vila Ipiranga.

O grupo chegou a providenciar transporte, mas no começo da noite foi informado que não poderia seguir para o local. Segundo versões dos próprios desabrigados, o responsável pelo centro comunitário não teria sido informado da transferência.

O drama dos moradores teve início na última quarta-feira, quando 13 famílias foram retiradas de casas invadidas, localizadas na avenida José Henrique Ferraz e nas ruas Rodolfina Dias Domingues e Cyro Wenceslau, devido à uma ação judicial de reintegração de posse. A ação foi movida pelo proprietário das residências, Eduardo João Assef, e a liminar de reintegração foi expedida pelo juiz da 3.ª Vara Civel de Bauru, Mauro Ruiz Daró.

O cenário para quem passa pela praça Jaime Bichusky é desolador. Crianças e adultos se abrigam debaixo de árvores e barracas improvisadas e contam com a ajuda dos vizinhos para se alimentar.

As crianças, desde o dia da desapropriação, não estão freqüentando a escola, segundo os desabrigados. A questão da higiene pessoal também é apresentada como outro grave problema. “As crianças estão sem tomar banho. Se você observa o pé, a unha e o cabelo dessas crianças, está dando nojo. É possível que elas peguem uma doença”, afirma Regina Aparecida.

Além da falta de infra-estrutura, a chuva também tem sido motivo de desassossego para os desabrigados da praça. “Nós estamos correndo o risco de tomar uma chuva e perder tudo. O que nós temos já não é bom e vamos perder o pouco que temos?”, questiona Valdemar Pereira da Silva

Impasse

As famílias continuam reclamando por assistência da prefeitura e até o final da noite de ontem recusavam ser transferidas para o albergue noturno da cidade.

“A gente precisa de um lugar digno para nossos filhos. Quanto tempo a gente vai ficar no albergue? Eu já passei por lá e não quero voltar. O albergue é um local de passagem e a gente não quer isso, nós queremos um lugar para morar. O difícil é que nessa situação não vem nenhum prefeito, nenhum deputado ajudar a gente. Só vem ajudar quando é para pedir votos”, desabafa a desabrigada Aparecida Antônia da Silva, de 40 anos.

Maria Madalena de Souza, 34 anos, que permanecia no local com seus seis filhos, também dizia ser contrária à alternativa do abrigo. “Eu vou para o albergue para ficar uma noite só e depois ficar andando durante o dia pela rua com as crianças?”, questiona.

Segundo o chefe de Gabinete Antônio Sérgio Marsola, a prefeitura não tem como disponibilizar moradia para os desabrigados. “Nós não podemos assumir uma responsabilidade que não é da prefeitura”.

De acordo com Marsola, outros moradores da cidade vivem o drama da falta de moradia e se o poder público abrir um precedente será obrigado a assumir o problema de todas as famílias que, porventura, se encontrarem nessa situação. “Oficialmente, a prefeitura não pode resolver nada. A parte social emergencial nós podemos fazer, encaminhando para o albergue noturno”.

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