Ontem pela manhã, caminhões e tratores da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) deslocaram-se até a rua Rodolfina Domingues, em frente à praça onde estão os desabrigados, para remover um bloqueio de areia, que impedia a entrada na via.
Na rua em questão, estão localizadas nove das 13 casas invadidas que foram reintegradas ao proprietário Eduardo João Assef.
Segundo informações de funcionários da Sear, a imobiliária Conai, administradora das residências invadidas, teria sido responsável pela colocação de um montante de areia no local, visando a interdição da área.
“Essa é uma via pública e como tal os munícipes não têm o direito de interditá-la. Com o problema das invasões de casas que houve aqui, a imobiliária colocou a terra. Mas isso não pode ser feitoâ€, afirma o secretário da Sear, Arlindo Figueiredo.
A areia foi recolhida e encaminhada para a regional da Vila Independência. Segundo o secretário, os responsáveis pela interdição seriam cobrados pela despesa do trabalho de remoção da areia.
À tarde, um alarme falso de transferência dos desabrigados voltou a movimentar o local. Um dos moradores do Jardim Ferraz, que afirmou ser o presidente da associação de moradores do bairro, Osvaldo Ramos dos Santos, garantiu que teria conseguido disponibilizar provisoriamente, até o final do Carnaval, o Centro Comunitário da Vila Ipiranga para as famílias se alojarem.
Os desabrigados se mobilizaram, conseguiram um caminhão de transporte junto à prefeitura e um grupo de quatro mulheres se deslocaram até o salão, localizado na rua Tamandaré, para providenciar a limpeza do local, segundo informações do grupo. No começo da noite, foram informados de que a transferência não teria dado certo.
Segundo versões dos próprios desabrigados, o responsável pelo salão, de nome não-identificado, não estaria sabendo da transferência das famílias para o local, e quando foi avisado sobre o fato, recusou-se em fornecer as chaves.