Tribuna do Leitor

Sob o império do maniqueísmo


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Na sessão em que o vereador Paquito deu conhecimento do conteúdo da fita que, com certeza, teve com objetivo desviar a atenção do objetivo principal que naquele momento era o relatório da CEI, sobre as irregularidades das compras, usou uma expressão bastante conhecida e lembrada por muitos, com os mais variados sentimentos, que não é nosso objetivo discutir, pelo menos nesse momento: “Eu sou do bem”. Essa afirmação, com certeza, implica que alguém é do mal, ou então é uma defesa apriorística.

Já na sessão do dia 24/2, que votou as Comissões Processantes para os vereadores Bueno, Paquito e Walter Costa, vimos intervenções patéticas dos vereadores Valle e Edmundo Albuquerque. Em ambas o que se notou foi um esforço hercúleo para defender o indefensável, os romanos, com certeza, diriam: “Defensa non petita, acusatio manifesta”, ou seja, uma defesa que não foi pedida, corresponde a uma acusação manifesta. Novamente vemos o maniqueísmo aflorar nos discursos que defendem os escolhidos em pré-juízo dos que não comungam seus pontos de vista.

O vereador Valle, inexplicavelmente, mudou o seu voto, pois já havia verbalizado, até para pessoas de fora da Câmara, que votaria pela Processante. Terminou seu pronunciamento esbravejando que não era “voto de bancada de evangélicos”. Aproveitamos para caracterizar a expressão como outra manifestação de maniqueísmo, ou seja, quem é evangélico é bom, quem não é, é mau. É difícil entender que o vereador concorde que houve pagamento em duplicidade de equipamento de informática, que as estrepolias cometidas pelo vereador Bueno (que se comparou com João Batista), na Câmara, tenha o transformado em alguém que não é bem quisto pelos funcionários etc., e mesmo assim vote contra a Processante.

Vemos aí, salvo melhor juízo, uma manifestação maniqueísta às avessas, o voto é contra o relator da CEI e não a favor de Bueno. Com respeito ao vereador Edmundo, resta perguntar ao Parreira, será que seu almoço foi aquela leitoinha engordurada, irmãzinha da que o Santana comeu no dia do fatídico telefonema gravado? É bom os vereadores se preocuparem com o colesterol. É, vereador Edmundo, faltou argumento e cultura religiosa, o sorriso da galeria só não se transformou em gargalhada porque poderia ser entendido como motivo para interromper os trabalhos da sessão.

Com respeito ao senhor não ter encontrado nada que incriminasse o vereador Bueno, nós o desculpamos, afinal ninguém é perfeito. Só temos a dizer o seguinte, uma boa parte dos presentes na galeria estiveram também nas duas sessões em que foi lido o relatório em sua íntegra, talvez a galeria preste mais atenção ao que é lido do que alguns vereadores e isso sem ônus para a municipalidade. A sintonia dos presentes foi tão grande que quando o senhor tomou fôlego para voltar à carga, alguém da “galera” falou: “Vai falar - há 2000 anos...”, errou, o senhor falou: “Há 2003 anos...”, que pobreza e falta de cultura. O que ocorreu há “2003 anos” foi a tentativa de manter os privilégios religiosos, “Caifás”, e o poder político, “Herodes”, e o que a turba fez foi atender o comando dos homens do bem, ou seja, para atender os detentores do poder local (políticos e religiosos) absolveram um bandido - Barrabás. Só nos resta parabenizar os 11. (Darcy Rodrigues - Nelson “Fio” - Mov. Com. Levanta Bauru)

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