Tribuna do Leitor

"O Senhor das Guerras"


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Ninguém agüenta mais ouvir falar na possibilidade de guerra entre os Estados Unidos, leia-se George W. Bush, e o Iraque, leia-se Saddam Hussein. Sei que esta é uma discussão para “gente grande”, como diz uma jornalista amiga minha, mas de uma coisa tenho convicção: Bush não vai terminar o mandato sem guerrear com Saddam.

É lamentável, mas o presidente dos Estados Unidos não tem dado qualquer indicativo disso. Está certo que Saddam tem lá os seus defeitos e nem eu quero ser porta-voz de sua defesa. Mesmo porque, todos sabemos que a situação dos iraquianos não é nada agradável. E se a situação lá já é grave, para que piorar ainda mais?

Mas Bush não pensa – e acredito que não pensará nunca – dessa maneira. Uma pena. Tenho dó mesmo das crianças. E não faço distinção. Tenho pena das crianças iraquianas e norte-americanas. De um lado, as crianças iraquianas, em caso de guerra, terão a infância roubada. Sofrerão ao ver seus pais, mães e irmãos morrerem, passarem fome, sentirem na pele a dor da perda em nome da paz. Das crianças norte-americanas porque terão no seu presidente o aval de que tudo se pode em nome da paz. Crescerão com uma visão totalmente distorcida da paz, sinônimo de tranqüilidade, serenidade.

Mesmo não sendo Saddam Hussein exemplo de presidente, não consigo ver motivos para esta guerra. E pelo que tenho lido no JC, os inspetores da Organização das Nações Unidas também não. Então, só nos resta esperar a decisão do “senhor das guerras” ouvindo Legião Urbana tocar uma música do mesmo nome que tem um trecho que fala assim: “Existe alguém que está contando com você/ Pra lutar em seu lugar, já que nessa guerra não é ele que vai morrer/ E quando longe de casa, ferido e com frio o inimigo você espera/ Ele estará com outros velhos inventando novos jogos de guerra”. (Maria Aparecida Graça)

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