As famílias que deixaram 13 residências localizadas no Jardim Ferraz depois de uma ação de reintegração de posse ainda não desistiram de voltar para os imóveis. Elas querem negociar com o dono das casas, Eduardo Assef.
Para o presidente da Associação dos Sem-Lar de Bauru, Osvaldo de Deus Ramiro dos Santos, uma das saídas seria comprar os imóveis. “Neste caso, precisaríamos de um financiamento da Caixa Econômica Federal e conseguir dinheiro realizando eventosâ€, afirma.
Oito famílias estão morando debaixo de lonas armadas em uma praça da prefeitura, que fica ao lado das residências. As condições do local são totalmente precárias. As demais famílias estão abrigadas na casa de parentes e amigos.
O morador Divino Barbosa, 52 anos, conta que a prefeitura não enviou nenhum donativo para as famílias. “Estamos contando com a colaboração das pessoas do bairro. A comida e a água estão sendo fornecidas pelos vizinhosâ€, diz ele.
Os moradores colocaram uma placa amarrada em um poste que fica em frente à praça. Nela, pode ser lido o texto “Senhor Prefeito e Vereadores, nos socorram. Vocês tiveram nossos votos. Enquanto se fala em Fome Zero, nós só temos zero de moradia. Nossa cidade nos negarão (sic) teto. Socorro Lula e autoridades. Jogaram nossas famílias na ruaâ€.
Decisão judicial
As famílias deixaram as casas na terça-feira da semana passada, depois que o juiz da 3.ª Vara Civel de Bauru, Mauro Ruiz Daró, expediu uma liminar de reintegração.
Os imóveis ficam na avenida José Henrique Ferraz e nas ruas Rodolfina Dias Domingues e Cyro Wenceslau.
Os oficiais de justiça foram acompanhados por 47 homens da Polícia Militar. A retirada foi pacífica.
Outras duas ações de reintegração estão sendo movidas na 1.ª e 6.ª Vara Civel de Bauru.
No local ficam 30 residências, todas de propriedade de Eduardo Assef. Segundo a imobiliária Conai, que há seis meses administra os imóveis invadidos, apenas sete estariam em situação regular.