Tribuna do Leitor

8 de março - "Dia Internacional da Mulher"


| Tempo de leitura: 3 min

Momento de reflexão sobre a mulher na sociedade. Esse tema é levado à mídia com muita ênfase nesta data e isto é muito bom. Porém, as entidades dedicadas à mulher não o fazem só em março, não, mas sim constantemente. Se hoje podemos ir aos jornais, às rádios, TVs, expor nossas idéias e anseios, se hoje podemos votar, se disputamos cargos eletivos no Executivo e no Congresso e Câmaras (muito pouco, ainda), se escolhemos nossas profissões (teoricamente), se vamos às universidades, se temos cargos executivos em grandes empresas (pouco ainda), se escolhemos nossos companheiros e não mais somos entregues “à guarda” de um pretendente do agrado de nossos pais, isto tudo é porque sempre, desde há muito, mulheres e mais mulheres sensíveis e corajosas organizaram-se em grupos e entidades e bradaram, persuadiram. E o fazem até hoje, porque percorremos grandes caminhos, conquistamos legalmente muitas coisas, mas falta muito ainda.

A mulher ainda ganha menos que o homem. Entre os excluídos no Brasil há muitas mulheres e muitas ainda negras. São mais de 80 milhões de mulheres que estão fora de empregos decentes, não há um eficiente serviço de saúde, escolas etc. Muitas mulheres hoje, por ignorância, desemprego, abandono, pobreza são levadas a cometer o aborto clandestino mutilando-se e muitas vezes morrendo. Só mulher pobre pratica o aborto clandestino e ainda responde por crime quando é pega. O homem que a engravidou não é sequer chamado à responsabilidade. Não nos esqueçamos da horrenda máfia da prostituição infantil - pergunta-se: quem são os fregueses?

A mulher ainda é hoje espancada e o agressor muitas vezes recebe “penas alternativas”. O estupro é crime contra a honra - para ser grave tem que haver morte ou lesão corporal grave. E a lesão da alma? Não é grave?

Quanto à necessidade da casa-abrigo para mulheres que correm risco de morte ao voltar para casa, isto é uma necessidade em Bauru, para complementar o trabalho da DDM e do CIAM. Em 1997 e início de 98 o Conselho da Condição Feminina elaborou um projeto junto à prefeitura e o encaminhou ao Conselho Nacional dos Direitos da Mulher para conseguir financiamento. Mas Bauru não foi contemplada na época (talvez não tivesse naquele momento representatividade política na esfera federal, não sei). Também o poder político em Bauru estava muito desgastado. Agora, nesta gestão atual já existe na prefeitura um projeto feito pelo CIAM e o Conselho da Mulher já oficiou ao sr. prefeito pedindo estudos e providências sobre isso. Em reunião com equipe da prefeitura soubemos das dificuldades e que estariam estudando com atenção para não divergir das metas da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Desde então, este Conselho sempre que possível está lembrando o senhor prefeito. As entidades de mulheres e o próprio Conselho não têm o poder de instalar equipamentos públicos, mas somente sugerir, cobrar e fiscalizar os que já existem.

A partir de abril teremos em Bauru a Casa dos Conselhos e convidamos a amiga Marlene Kondo e todas as mulheres para visitar a sala do Conselho da Mulher para conosco somar e juntas conquistarmos sempre mais e mais. (Acyr Santinho Motta - presidente do Conselho da Condição Feminina de Bauru)

Comentários

Comentários