Regional

Sumiço de criança completa 15 dias

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 6 min

Um pesadelo que completa hoje duas semanas vem consumindo a família do pequeno Josiel Dias Cardoso, de 2 anos. O menino desapareceu no último dia 23, no distrito de Brasília Paulista, município de Piratininga, e até o fechamento desta edição não havia sido encontrado pela polícia.

A mãe, Leandra Maria Dias Cardoso, 23 anos, afirma estar conseguindo suportar a dor porque não perdeu a esperança de ter o filho novamente nos braços. “Eu tenho fé. Essa pessoa ainda há de trazer meu filho para mim. Ele é meu, fui eu quem tive ele, que passei dor por ele. Eu só queria o meu filho de volta, mas nada”, desabafa.

Leandra conta com tristeza que no último dia 28, depois do desaparecimento, o filho completou dois anos de idade e o clima foi de luto entre a família. “Foi triste porque a gente achou que antes do aniversário a gente iria encontrá-lo, mas até agora nada”, lamenta.

Ela denuncia sua revolta e afirma que, depois do desaparecimento de Josiel, tornou-se refém da ansiedade e do descontrole emocional. “Nada está mais no lugar, tudo está descontrolado. Eu nem consigo ficar na minha casa porque eu lembro dele.” Segundo Leandra, seus outros dois filhos, Nayara e Thiago, de 4 e 7 anos, tem perguntado com freqüência sobre o paradeiro do irmão e não entendem o porquê do desaparecimento. “Os dois irmãozinhos falam nele todos os dias. Falam que sonham com ele.”

O pai do menino Reinaldo Antônio Cardoso, 32 anos, afirma que a rotina da família mudou completamente e que os dias tem sido consumidos pela ansiedade, depois do sumiço de seu filho caçula.

“Antes era uma rotina, mas depois que o menino sumiu minha vida ficou transtornada, desabou. Nada ficou do jeito que era. Reinaldo afirma que tudo em sua casa lembra o filho e que a esposa não quer mais permanecer no local. Por isso, a família tem passado grande parte do tempo na casa dos avós maternos do menino. “Quando a gente vai para casa dormir toda noite, minha esposa começa a chorar. Está terrível.”

A avó afirma que a dor da família tem se acentuado a cada dia porque não há pistas sobre o paradeiro de Josiel. “Ficar no escuro é a pior coisa que existe. O nosso grande desespero é não saber nada sobre o paradeiro dele”, desabafa.

Rotina

Reinaldo é pintor e Leandra dona de casa. A família vive numa casa simples do Jardim Eldorado, em Bauru. A mãe afirma que passa a maior parte do dia na presença dos filhos. Ela conta que quando as crianças não estão com ela, são deixadas na casa da mãe, no bairro vizinho (Parque Jaraguá) ou então na escola. Em Bauru, ela afirma que sempre teve zelo redobrado e nunca os deixou sozinhos.

O pai Reinaldo conta que todos os dias de manhã sai para o trabalho e na volta encontra os filhos o aguardando, ansiosos pela rotina das brincadeiras. Agora, sem a presença do caçula, ele afirma que já não encontra forças para continuar trabalhando. “Depois do que aconteceu eu não tenho cabeça nem para trabalhar. Parece que foi arrancado algo de mim”, descreve.

Reinaldo afirma que a situação está sendo extrema para todos da família, especialmente para sua mulher que a cada dia vem sendo remoída pelo desespero. “Ela tem chorado muito, está abatida e cada vez mais desesperada.”

Reinaldo relata que a família sempre teve uma vida de dificuldades financeiras, no entanto garante que nada pode ser comparado ao sofrimento dos últimos dias. “Temos uma vida difícil, mas éramos felizes”. Ele conta que Josiel era o filho caçula e uma espécie de “xodozinho” da família. “Todo mundo sempre queria brincar com ele”, afirma.

A mãe descreve o menino como sendo calmo, relativamente quieto, e muito apegado a ela. “Ele estranha os outros, portanto ele não deve estar acostumado com a pessoa que pegou ele. Meu menino deve estar sofrendo e chorando bastante”, lamenta.

O avô materno do menino, José Maria Dias, 50 anos, afirma que as coisas perderam sentido depois da tragédia que se abateu sobre a família. Ele, que é pintor artístico, conta que todos os dias via Josiel e que o menino era muito apegado a mãe e a ele. “Ele pegava os bichinhos que achava e levava lá no atelier para eu pintar para ele. Ele tinha os seus quadros de preferência. É um menino muito inteligente”, avalia.

Segundo o avô, toda a família tem vivido cada minuto dos dias na expectativa de reencontrá-lo. “Eu vejo minha filha muito triste chorando pelos cantos. E ela tem razão, porque ele foi um pedaço nosso que se perdeu.”

Pais estavam a passeio em Brasília Paulista

No dia do desaparecimento de Josiel, a família estava a passeio na casa dos avós paternos do menino. A mãe afirma que sentiu a falta da criança por volta das 12h30, depois do almoço. “Ele chegou a almoçar, entregou o pratinho para o pai dele. Ele tinha feito xixi e eu tirei o short.”

Leandra conta que a última vez que viu o menino ele estava brincando no quintal. Segundo a família, o sumiço da criança ocorreu em um espaço de tempo curto.

No dia do acontecimento, o pequeno distrito de Brasília Paulista, de cerca de 150 habitantes, estava sendo palco de um torneio de futebol de campo e cerca de 500 pessoas estavam no local, segundo a Polícia Militar.

A mãe do menino afirma que o distrito é marcado pela tranqüilidade e que sempre deixou seus filhos à vontade em Brasília, na casa dos avós paternos. “Lá nunca aconteceu um caso desses. A pessoas ficam livres por lá. Como a gente poderia imaginar que iria acontecer uma coisa dessas num lugar pacato como esse?”, questiona.

Segundo Leandra, Josiel tem cabelos pretos, é moreno e possui uma pinta escura no lado esquerdo do pescoço.

Caso único

Segundo o delegado J.J.Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o caso de Josiel já está sendo considerado o registro de desaparecimento de criança mais longo de Bauru. “Que dirá de Brasília Paulista, onde não há registros de ocorrências”, avalia.

Cardia afirma que, em geral, as ocorrências de desaparecimento de crianças tem um desfecho no prazo médio de dois a três dias. “Nesse caso, já chegamos a duas semanas.”

Apesar disso, Cardia assegura que as investigações sobre o caso estão adiantadas.

Qualquer informação sobre o paradeiro do garoto pode ser comunicada diretamente à polícia pelos telefones (14) 265-1050 ou 224-3090.

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