Tribuna do Leitor

CELLY CAMPELLO FOI EMBORA


| Tempo de leitura: 2 min

Celly Campello morreu na terça-feira de carnaval. A rainha do rock nacional nos anos 60. A TV me surpreendeu com imagens do cemitério de Taubaté. Algumas senhoras chorosas acompanham Tony Campello, irmão roqueiro de Celly. Me espanta os cabelos cor de cenoura daquele velhinho que chora ao lado do túmulo. Ele chora pela irmã e pela ausência nessa última homenagem de toda classe artística. Ninguém. Nem os sobreviventes daquela época. Uma época em que tanta doçura havia e que desce à cova com essa artista que foi a 1ª grande estrela de nossa juventude!

Em 1960, indo ao 1.º dia de aula no ginásio MMDC lá na Moóca em SP, escuto um refrão: Tin tin tin, raio de lua, tin tin tin, baixando vem ao mundo”. Uma garota cantava o novo sucesso da estrela do rock brasileiro - Celly Campello! A voz da menina cantando “Banho de lua”, ao adentrar a escola, me acompanhou sempre.

E a pequena Celly arrasou, detonou no meio artístico de então. Tony Campello, o irmão grande e bonito, com o enorme topete de cabelos negros era seu cavaleiro andante. “Oi Celly!” “Oi Tony!” “Que vamos fazer hoje?” “Hoje vamos à Austrália!” “Austrália?” “Sim, hoje vamos estudar geografia.” E lá ia a menina de lacinhos cor de rosa encantar a galera, desde a juventude transviada até as mocinhas de família, gênero que jamais deixou de incorporar. A menina comportada, asseada, penteada.

Conheci o Tony num show em Bauru. Já havia escrito para ele, que me enviou fotos e um disco que se perdeu no tempo. Para o jovem solitário que fui, era a glória! Entre meus troféus tinha também a foto e autógrafo de outro ícone da época: Sérgio Murilo, o garoto apaixonado pela “Marcianita”. E Ronnie Cord e o biquíni de Ana Maria. E as fotos dos ídolos vindas de USA: Fabian, Rick Nelson e Sandra Dee. E o maravilhoso Paul Anka. Esses jovens e os irmãos Campello fizeram em estrelado qualquer coisa que não mais se repetiu no mundo do rock. Celly estava para nós como os Beatles para o mundo. Celly Campello partiu aos 61 anos, e creio que aliviada por deixar esse mundo estranho, sujo, violento de agora. Não tem mais lugar para lacinhos cor de rosa, a não ser nos sapatinhos da memória onde podemos reencontrar um mundo onde já foi alegre e esperançoso ser gente. (Hesso A. Maciel - RG: 4.161.922)

Comentários

Comentários