O prefeito Nilson Costa (PPS) ofereceu ontem aos servidores públicos municipais 5% de reposição salarial. A proposta foi oficializada em reunião realizada no Palácio das Cerejeiras com a diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm). A oferta do prefeito passa longe da reivindicada pela categoria: 58,71%.
A proposta piora na reivindicação de reajuste do vale-compra. Hoje, o valor do benefício é de R$ 111,00. A assembléia realizada pelo Sinserm para aprovar a pauta de negociação pede R$ 200,00 de vale-compra. O prefeito ofereceu zero por cento de reajuste.
Além de Nilson, participaram do encontro o chefe de Gabinete, Antônio Sérgio Marsola, o secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, e o secretário municipal de Administração, Luiz Freitas.
Representando o sindicato compareceram à reunião Idelma Alcântara, Eliane Koti, Eliane Martins, Sandro Fernandes e José Roberto Batista.
Esse foi o primeiro encontro oficial das partes para discutir o índice de reposição salarial. O prefeito abriu a reunião, mas deixou Marsola e os dois secretários para anunciar a proposta, justificando que tinha outros compromissos a cumprir.
Os sindicalistas ficaram surpresos com o índice de reposição salarial proposto pelo prefeito. “Repudiamos na hora. Se levarmos essa proposta de 5% para os servidores, eles vão considerá-la um debocheâ€, diz Idelma, em tom de revolta.
Ela lembra que a entidade sindical solicitou ao secretário municipal de Finanças que apresentasse, na reunião, as planilhas de arrecadação do município referente aos meses de janeiro e fevereiro deste ano, período em que se inicia a cobrança do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
“Ele não trouxe. Nosso interesse é saber como está a arrecadação do município. E temos certeza que ela cresceu, se comparada com a do ano passadoâ€, afirma a sindicalista.
Idelma lembra que o prefeito Nilson Costa autorizou, através de decreto, reposição de 20% nos valores do IPTU que estão sendo cobrados neste ano.
“A tarifa da água subiu 45%. A tarifa do transporte coletivo municipal foi reajustada em mais 20%. A administração, portanto, subiu o custo de vida de seus próprios servidores. Mas o mesmo não acontece nos seus salários.â€
A sindicalista diz que o índice de 58,71% é referente as perdas salariais dos últimos quatro anos do governo Nilson Costa. “O percentual que estamos reivindicando não significa aumento real de salárioâ€, esclarece.
A diretora do Sinserm garante que o salário base do servidor público municipal de Bauru, de R$ 267,00, é um dos mais baixos de todo o Estado.
“Em cidades do mesmo porte de Bauru, o piso é maior. Em Marília, por exemplo, é de R$ 400,00. Em Sorocaba, R$ 438,00; Botucatu, R$ 451,00; Jundiaí, R$ 473,00.†Ela destaca, ainda, que a diferença de uma referência para outra, na grade salarial, é insignificante. “Nada mais do que R$ 0,70â€, informa.
A reação dos representantes da administração municipal diante da decepção dos sindicalistas acabou provocando o agendamento de uma nova rodada de negociações para sexta-feira, às 10h, no gabinete do prefeito.
No final da tarde, às 17h30, o Sinserm realiza uma assembléia com a categoria para discutir a proposta apresentada pela administração municipal.
O prefeito Nilson Costa preferiu não comentar as críticas do sindicato. Lembrou que na sexta-feira representantes do Sinserm e da administração vão se reunir mais uma vez para discutir o percentual.