Regional

PF prende fraudadores de INSS

Por Da Redação | Colaborou: Folha do Povo de Tupã
| Tempo de leitura: 3 min

A Superintendência do INSS em Marília informou anteontem a descoberta de um esquema de fraude de benefícios na agência de Tupã. Com base na denúncia do gerente-executivo da Previdência Social em Marília, Paulo Gonzaga Bueno, a Polícia Federal prendeu anteontem em flagrante um aposentado, cujo nome não foi divulgado, a advogada Maristela Curci e o funcionário administrativo do INSS Sérgio de Oliveira, acusados de fraudar 89 processos, no valor estimado de R$ 800 mil.

A polícia está investigando outros dois advogados suspeitos de participarem do esquema. O aposentado já foi liberado, mas o funcionário e a advogada continuam detidos e serão indiciados por estelionato, utilização de documento falsificado e inserção de informações falsas em banco de dados.

Paulo Bueno começou a desconfiar da possibilidade de fraude há cerca de dois meses. Após a suspeita, todos os processos passaram a ser verificados com mais cuidado, o que evidenciou a prática dos golpes. A fraude era feita através de pedidos para revisão dos valores de benefícios.

Segundo o procurador da República Jéferson Aparecido Dias, através da senha de acesso ao banco de dados do INSS, Oliveira identificava os contribuintes que tinham benefícios atrasados a receber nos últimos cinco anos.

Ele encaminhava o nome à advogada, que entrava em contato com o beneficiário oferecendo serviços para recebimento mesmo após prazo final. Segundo as investigações, o pedido era devolvido ao agente, que protocolava o documento com registro falso, usado em outros processos.

O protocolo do benefício falsificado ampliava o prazo de atraso para cerca de dez anos, segundo o procurador, possibilitando pagamento de valores bem acima que devido pelo INSS, caso o beneficiário fizesse o recurso no prazo legal. As informações divulgadas pela Procuradoria dão conta que os novos benefícios podiam chegar a R$ 25 mil.

Após averiguar os indícios do golpe, a Polícia Federal passou a aguardar o momento propício para prender os acusados em flagrante. Em uma ação rápida, policiais federais estiveram ontem em Tupã e, após deter o aposentado, que tinha acabado de sacar o benefício indevido no Banco do Brasil, acabaram prendendo Oliveira em sua própria casa e a advogada, em seu escritório.

Na casa do gerente administrativo a polícia encontrou e apreendeu vários documentos, computadores, além de R$ 25 mil em dinheiro.

Oliveira e a advogada foram levados para a sede da Polícia Federal em Marília, onde prestaram depoimento. De acordo com as estimativas da Procuradoria da República, até o momento foram descobertos 80 processos fraudados. Só no ano passado, o rombo provocado pelos golpes chega a aproximadamente R$ 600 mil.

O prejuízo total causado pelos acusados, entretanto, pode ultrapassar R$ 1 milhão. “Nós temos a expectativa que isso tenha ocorrido também no ano de 2001, 2000 e 1999. Agora começaremos a fazer uma revisão em todos os benefícios daquela cidade para chegar ao valor total do que foi fraudado”, disse o procurador da República Jéferson Aparecido Dias.

Após ser ouvido pela Polícia Federal, Oliveira foi encaminhado para a Cadeia Pública de Tupã. A advogada Maristela de Souza Cursi ficará em uma cela especial na cadeia feminina de Herculândia. Os dois vão responder a processo por estelionato, uso de documentos falsos e inserção de informações falsas em bancos de dados e se condenados podem pegar até 22 anos de prisão.

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