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Vizinhos de ferro velho temem dengue

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores da Vila Industrial estão revoltados com um ferro velho instalado na quadra 20 da rua Wenceslau Braz, que mantém grande quantidade de sucata sem proteção ou cobertura. Eles temem que o material acumule água de chuva e se transforme em criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.

A raiva dos vizinhos aumentou ontem pela manhã, quando funcionários da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) passou pela rua pulverizando inseticida para matar o mosquito. “A gente abre a nossa casa para eles, mas se os agentes não conseguem entrar no ferro velho para pulverizar tudo aquilo, não adianta nada”, lamenta o aposentado Benedito Aurélio dos Santos.

“A fiscalização entra na casa da gente e dá até parabéns pelos cuidados que temos, mas de nada adianta com tanta sujeira aqui ao lado. A gente senta na varanda durante o dia e tem que ficar matando pernilongos que vêm desses lugares”, completa Isaías Santos Silva.

Os moradores comentam que o dono do terreno morou no local durante muitos anos e sempre foi um bom vizinho, do tipo que nunca dá problemas para ninguém. Porém, ele mudou-se para outro bairro. A propriedade foi alugada algumas vezes, mas acabou se transformando em depósito de sucata do próprio dono.

“A gente já cansou de pedir para ele dar um jeito nisso, mas não tem acordo”, comenta a dona de casa Maria Elisa Salustiano. Ela conta que telefonou para o proprietário do terreno ontem pedindo que ele fosse abrir o portão para a pulverização do inseticida. “Mas ele brigou comigo e a gente fica sem saber o que fazer”, lamenta.

Segundo os vizinhos, o proprietário do terreno chegou a fazer uma cobertura para a sucata, mas as telhas foram furtadas e todo o ferro velho acabou exposto. Com isso, todos os moradores têm enfrentado problemas não só com os pernilongos, mas também com moscas, aranhas e ratos.

Enquanto conversava com a reportagem, a dona de casa Patrícia dos Santos, vizinha de muro do ferro velho, foi chamada às pressas para casa porque havia um rato na cozinha. O anúncio arrancou risos desanimados dos demais moradores, que garantiram que episódios como este são freqüentes em várias casas das imediações.

“A gente não vence comprar veneno para rato e pernilongo”, afirma o mecânico José Claudinei Gonçalves. “Está todo mundo empenhado para combater o mosquito. Não é justo ficar essa sujeira aí e ninguém fazer nada”, salienta Benedito.

61 casos

Bauru já registra 61 casos de dengue. Só na semana passada foram confirmados mais 20 casos, dos quais 18 são autóctones (contraídos na própria cidade) e há outros 111 pacientes com sintomas suspeitos aguardando o resultado dos exames.

De acordo com o Núcleo de Controle de Vetores (NCV), os casos autóctones de são moradores dos bairros Núcleo Gasparini, Núcleo Edson Francisco da Silva, Jardim Santana, Parque Vista Alegre, Núcleo Geisel, Vila Falcão, Vila Coralina e Parque Paulistano. Os casos “importados” são nos bairros Vila Souto e Jardim Godoy.

O NCV manifesta uma preocupação especial com o Núcleo Gasparini, onde já houve focos de transmissão em epidemias anteriores. Se algum morador for infectado pela segunda vez, pode apresentar um quadro de dengue hemorrágica, que pode matar em poucas horas.

Para tentar controlar a situação, a Sucen percorre vários bairros pulverizando inseticidas, enquanto os agentes do NCV fazem visitas de casa em casa para orientar moradores e eliminar eventuais criadouros do mosquito.

Enquanto isso, é fundamental que a população mantenha quintais limpos e procure a unidade de saúde mais próxima a qualquer sintoma da doença - que se parece muito com uma gripe forte, provocando dores de cabeça e dores pelo corpo, podendo também causar náuseas, vômitos e diarréia.

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