Duartina - Solidariedade é uma palavra que parece não ter limites para a professora de Educação Física Márcia Porto, de 37 anos. Depois de adotar duas crianças e realizar um sonho antigo, Márcia tornou-se idealizadora e coordenadora da Casa de Amparo e Proteção à Criança de Duartina - Nosso Lar, que abriga atualmente sete menores vítimas de abandono e maus-tratos.
Natural de Duartina, a professora conta que desde a infância descobriu sua vocação para cuidar de pessoas e tentava persuadir a mãe a adotar outros filhos. “Desde pequena eu tive esse negócio de adotar criança. Eu brincava de encontrar a boneca e dizia que ela não precisava mais chorar que eu estava ali para cuidar delaâ€, relembra.
O tempo passou, Márcia cresceu e não constituiu família, mas persistiu na idéia fixa de ser mãe. Em maio de 1997, ela conta que veio a Bauru para visitar a Sociedade Beneficente Cristã, e ao ver as crianças da entidade tomou a decisão de realizar a primeira adoção. Márcia enfrentou todas as exigências do processo e, em dezembro do mesmo ano, comemorou a chegada do seu primeiro filho, João Vitor, atualmente com 7 anos.
Não satisfeita, a professora fez um outro cadastro para a adoção e três anos depois, em dezembro de 2000, assistiu à chegada da filha Maria Laura.
Ainda sim, o projeto de maternidade continuava inquietando seus sonhos. Foi quando a professora vislumbrou a possibilidade de montar um abrigo para crianças carentes e vítimas de maus-tratos.
Em 2000, Márcia resolveu dar asas às suas intenções e iniciou um processo de negociação com as autoridades locais. Segundo ela, no ano passado, o prefeito Enio Simão (sem partido) apoiou a viabilização do projeto de construção de uma casa para menores e deu “carta branca†para a professora tomar as medidas necessárias. No mês de julho, Márcia foi afastada de sua função como professora do município para assumir o cargo de coordenadora da entidade.
Depois de visitar vários modelos de abrigos de crianças na região, como os da cidade de Barra Bonita, Garça e Marília, a professora afirma que começou a ver o projeto tomar fôlego. E depois de quatro meses de trabalho, em 20 de outubro, o sonho ganhava vida, materializado na Casa de Amparo e Proteção à Criança de Duartina-Nosso Lar, a primeira a prestar esse tipo de atendimento na cidade. “Eu tive pressa em montar a casa, tomando por base umas palavras, que sempre vão me seguir: um dia, uma semana, um mês na vida de uma criança abandonada faz muita diferença. Então eu tive pressa e foi tudo muito rápidoâ€, afirma.
Ainda sim, a casa, que atende apenas crianças de zero a 12 anos, não chegou a ser o ponto limite dos planos da professora. Ela já revela sua intenção de expandir o atendimento e criar no futuro, um outro abrigo, desta vez direcionado aos adolescentes abandonados.