Parte da imprensa, do rádio, da televisão e do próprio governo diz que a Previdência Social Pública é deficitária, imputando o ônus dessa conta às aposentadorias e pensões, alegando que as mesmas causam desequilíbrio nas contas públicas.
Essa idéia é falsa, uma vez que o governo não faz a sua parte, ou seja, não recolhe os encargos sobre a folha de pagamento do funcionalismo, ao contrário do que fazem as empresas particulares.
O servidor público aposenta com valor integral, porque contribui com 11% sobre o total de seu salário. Além do mais, não tem direito a FGTS, não tem direito a seguro desemprego, não tem direito a participar dos lucros, não tem direito a cesta básica, etc, logo, não é privilegiado. A maior parte do funcionalismo não atinge o teto; apenas pequena parcela ultrapassa ligeiramente o patamar estabelecido por lei.
O servidor público é tido como o vilão do caos previdenciário. Mas é preciso esclarecer que o déficit previdenciário foi e é causado pelos governos que desviaram e continuam desviando recursos do sistema para construir pontes, estradas e/ou realizar obras em período eleitoral. Além desse assalto ao dinheiro da Previdência, há também uma privilegiada casta, formada por juízes, promotores, desembargadores, políticos e altos funcionários do Poder Executivo, que costumam legislar em causa própria, criando dispositivos legais para se autobeneficiarem, gerando vergonhosas ajudas, como auxílio-moradia (com direito a incorporar na aposentadoria), auxílio-paletó, auxílio-dentário, além de milionárias aposentadorias. Importante observar, também, que dentro dessa casta privilegiada, duas categorias (judiciários do alto-clero e políticos) detêm as maiores aposentadorias; são essas duas categorias que estão incumbidas de discutir a reforma da Previdência, objetivando acabar com os privilégios. No início do ano, os políticos reajustaram os seus polpudos salários em mais de 50%, dando uma bela banana para o eleitorado brasileiro. É o mesmo que pedir à raposa para tomar conta da galinha. Dessa forma, os reles mortais servidores públicos e os trabalhadores da iniciativa privada estão preocupados.
Conhecendo os números da Previdência, os sem privilégios, compreendem que a “reforma†tem que ser realizada. No entanto, não podem ficar no prejuízo.
Para encerrar, pedimos aos envolvidos no processo das reformas: responsabilidade, competência, critério, coragem e acima de tudo vontade política para mudar; do contrário, os privilégios continuarão em detrimento da maioria dos que recebem uma miserável aposentadoria de um vergonhoso salário mínimo. (Ademar A. Camilo - RG: 7.636.492)