Guerra no Iraque 2003

EUA perdem helicópteros e homens

Agência Folha
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Bagdá - Uma crescente resistência de forças iraquianas, perda de pelo menos dois helicópteros, exibição de novos prisioneiros aliados na TV, emboscadas e tempestades de areia dificultaram o avanço das tropas da coalizão anglo-americana ontem no território do Iraque.

De acordo com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, apenas 100 quilômetros separam as tropas aliadas de Bagdá - os soldados estão perto de Kerbala, a sudoeste da capital. “Certamente este será o momento crucial”, disse Blair. “Nesta região estão aqueles que são mais próximos a Saddam, que estão resistindo e vão resistir fortemente”.

Britânicos e americanos iniciaram forte ofensiva aérea contra divisões da Guarda Republicana (tropas de elite de Saddam) que protegem a cidade. Foi o primeiro esforço para abrir caminho pela chamada “zona vermelha” que cerca Bagdá.

No Catar, o general Tommy Franks, comandante das operações no Golfo, confirmou a perda de um helicóptero e o “desaparecimento” da tripulação. Mas de acordo com o governo iraquiano foram dois os aparelhos abatidos. Ao ser indagado se estava surpreso com a resistência iraquiana, Franks disse que os aliados tiveram que passar por “terríveis combates”. “Nosso progresso rumo a nossos objetivos tem sido rápido e, em alguns casos, dramático”, afirmou.

Ainda no início da tarde (em Bagdá), a TV iraquiana exibiu imagens de um dos helicópteros, com homens dançando ao seu redor, armados com rifles russos Kalashnikov. Horas mais tarde, foram mostradas imagens de dois pilotos americanos. Não falaram às câmeras, ao contrário do que ocorrera ontem quando da exibição de outros cinco prisioneiros (entre eles uma mulher).

Segundo o “New York Times” os iraquianos usaram armas de pequeno porte e lança-granadas para derrubar dois helicópteros e forçar outros 30 a retornarem às bases, no que o jornal classificou de “significativo atraso”.

Um correspondente da CNN, citando oficiais britânicos, classificou a região de Kerbala como um “ninho de vespas”, em alusão à barreira antiaérea encontrada. Nessa área, a 3.ª Divisão de Infantaria dos EUA sofreu atraso devido a forte tempestade de areia.

Em seu apressado caminho rumo a Bagdá, os norte-americanos sofrem ataques pela retaguarda. As forças britânicas enfrentaram uma dura resistência dos iraquianos nos arredores Basra, no sul do Iraque.

No confronto, um britânico foi morto. Essa foi a primeira baixa do Reino Unido em combate desde o início da ofensiva. A ação acontece um dia após dez americanos terem sido mortos em combate em Nassiriah. Os soldados britânicos se confrontaram com integrantes da Guarda Republicana e da milícia paramilitar Fedayeen. Uma autoridade americana disse que os britânicos estavam enfrentando sérias dificuldades na região.

O Ministério da Defesa do Reino Unido se recusou a fornecer detalhes sobre a morte do soldado. Disse só que a família dele foi notificada. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, advertiu ontem sobre o risco de uma crise humanitária em Basra. Segundo o Pentágono, membros das forças iraquianas trocam uniformes militares por roupas civis para realizar emboscadas.

Nos campos de petróleo de Rumeila, cinco iraquianos em roupas civis, que aparentemente se renderiam, dispararam contra britânicos, sem deixar vítimas. Nos arredores de Najaf, soldados americanos entraram em choque com os iraquianos. As forças do Iraque disparam mísseis e bateria antiaérea contra as forças dos EUA. Pequenos grupos tentaram se aproximar, mas foram repelidos por tanques americanos.

O Iraque lançou três mísseis contra o Kuwait. Dois foram abatidos pelos mísseis de defesa Patriot e outro caiu no deserto. Autoridades militares dos EUA anunciaram que forças do país estão presentes no Norte do Iraque.

Os americanos também bombardearam forças iraquianas nos arredores de Chamchamal, cidade curda nos arredores de Kirkuk, importante cidade produtora de petróleo. Foram os primeiros ataques aéreos a essa área específica do Norte do país.

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