Regional

Frei é condenado a dez anos de prisão

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

Agudos - O juiz Adilson Aparecido Rodrigues Cruz, de Agudos, decretou, no último dia 17, em primeira instância a condenação do frei Tarcísio Tadeu Spricigo, 46 anos. Ele foi condenado a dez anos de prisão, por atentado violento ao pudor contra um menino de 8 anos, em Agudos. O crime é considerado hediondo pela Justiça.

Spricigo está preso na Cadeia Pública de Bauru e, até a noite de ontem, não havia sido definida sua transferência para algum presídio. O advogado do frei ainda pode recorrer da condenação.

A pena mínima prevista para o crime é de seis anos de prisão, mas a Justiça observou no caso a chamada continuidade delitiva (prática do mesmo crime de forma continuada), o que aumentou a pena em dois terços.

O crime teria sido praticado em 1999, quando o frei trabalhava na Capela Nossa Senhora Aparecida, no bairro Pampulha. A vítima, cuja identidade está sendo mantida em sigilo, em obediência ao Estatuto da Criança e do Adolescente, teria sido molestada de forma continuada.

Spricigo foi preso no dia 8 de outubro de 2002 e encaminhado à Cadeia Pública de Agudos. No dia 12 de novembro, foi decretada sua prisão preventiva e no dia 30 de janeiro deste ano o frei foi transferido a Bauru, a pedido de sua defesa. Ele está alojado numa cela especial do Cadeião, por possuir diploma de nível superior.

A reportagem procurou ontem o juiz que decretou a condenação, mas foi informada de que ele estaria em audiência.

O bispo diocesano de Bauru, dom Luiz Antônio Guedes, e o arcebispo de Botucatu, Aloysio Leal Penna (então bispo de Bauru na época dos acontecimentos), não foram encontrados para comentar a decisão da Justiça.

A Promotoria Pública informou à reportagem que está estudando recurso para aumentar a pena do acusado.

Histórico

No ano passado, o frei já esteve detido em Anápolis (GO) sob acusações semelhantes. Graças a um habeas-corpus, ele foi solto e retornou a Agudos, onde se apresentou à Polícia Civil espontanemente. Na cidade, havia um mandado de busca contra ele, o que resultou em sua prisão temporária.

O inquérito policial que investigou o caso foi concluído no dia 23 de setembro de 2002 e encaminhado pelo delegado titular de Agudos, Paulo Calil. Durante as investigações, o delegado apreendeu documentos que apontaram indícios de que o religioso manteria um diário relatando com detalhes seu relacionamento com algumas crianças.

Após concluir o relatório das investigações, o delegado encaminhou o inquérito ao Poder Judiciário, com pedido de prisão preventiva, o qual foi aceito. O processo correu sob segredo de Justiça.

Calil lembra que o caso de abuso sexual envolvendo um frei foi o primeiro registrado na cidade. O crime, segundo ele, causou grande comoção entre a população local.

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