Tribuna do Leitor

A arte de ensinar


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Nada mais absurdo do que o método geralmente empregado no ensino da nossa língua. É a negação de tudo que é inteligente e intuitivo. A criança mal aprende a leitura, entregamos-lhe uma gramática complicada, com mil regras e uma terminologia difícil para decorar, sem ao menos lhe perceber o sentido. Inapto, entretanto, para traduzir alguma impressão pessoal, e até para redigir uma simples carta com precisão e naturalidade. Não podemos sufocar na criança, no adolescente, a criação de uma frase viva, uma combinação pessoal da inteligência, seu modo próprio de sentir ou de reagir sob as impressões do mundo interior e do mundo exterior. Para acompanhar o estudo seco da gramática, costumam os professores exigir exercícios de composições escritas. Normalmente essas composições versam sobre temas vagos, quando não absurdos. Um incêndio, uma tempestade. Assuntos esses que não lhes interessam, que não lhes falam aos sentimentos e lhes não repercutem n’alma. Não podemos exigir esforço igual de todos os alunos, nem orientá-los na mesma diretriz. Na criança esboça-se o homem do futuro. No domínio da vontade, este é um violento, aquele um fraco, no domínio da imaginação, este é um visual, aquele um emotivo. É preciso conhecê-los todos, para não contrariar as suas tendências íntimas que precisam apenas ser bem dirigidas. O nosso dever consiste em dirigir-lhes as leituras para que se façam com inteligência e proveito. Escreva o aluno sobre o que bem entender, sobre o que lhe falar a alma, sobre o que lhe interessar, ao seu gosto, a sua maneira, ao seu estilo. Ao professor cumpre apenas corrigir-lhe, mostrando as deficiências, as imperfeições grosseiras, as ampliações inúteis, as demasias. (Blasco Peres Rego - OAB 17.461)

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