Os EUA adotaram as estratégias mais adequadas para invadir o Iraque e não se arriscariam em incursões pouco eficazes ou frágeis. A opinião é do comandante da 2.ª Região Militar do Exército, general Francisco José da Silva Fernandes, que visitou Bauru ontem.
Na opinião dele, é difícil comentar as ações das tropas anglo-americanas porque as informações transmitidas sobre os confrontos travados até agora são controladas e imprecisas. Porém, ele tem convicção de que a coalizão estudou muito bem cada passo, tem o controle da situação no campo político e militar e está avançando rumo ao objetivo definido despendendo o menor montante de recursos possível.
“O que se sabe dessa guerra chega através de fragmentos de informação. Por isso fica todo mundo especulando. Militar não raciocina com especulação, senão perde a guerra. Não estamos lá, assim não sabemos o que está acontecendo. Também não discutimos as estratégias com eles. A história de uma guerra só é contada muitos anos depoisâ€, destaca.
Mesmo não compartilhando com a prática de aventar possibilidades sobre os combates, durante a entrevista, o general desprezou os posicionamentos de comentaristas de guerra que têm indicado supostos empecilhos enfrentados pelas forças americanas que rumam a Bagdá.
Figura entre as negligências listadas a não-ocupação de cidades pelas quais os militares da coalizão teriam passado no caminho à capital.
Retaguarda
“A resistência desses municípios certamente foi estudada. Até que ponto ela seria suficientemente organizada para ameaçar as tropas aliadas? Fragilizar a retaguarda, se ela representa algum perigo, é um erro inaceitável, que os EUA não cometeriam. Aviões resolveriam um suposto ataque dessa naturezaâ€, coloca.
De acordo com ele, as dificuldades para se subjugar uma cidade são enormes e demandaria a disponibilização de um efetivo muito expressivo. “Por mais planejada que seja a ação, a tropa desconhece o município e a língua. Essas ações só são definidas quando existem necessidades políticas prementesâ€, diz.
Além disso, ele chama a atenção para o aspecto político, ainda desconhecido. Até a diminuição do ritmo no avanço em direção a Bagdá, pode ser decorrente de uma avaliação do governo, sugere.
A possibilidade dos iraquianos facilitarem a entrada de soldados americanos em Bagdá para forçar a redução de bombardeios sob a capital também é vista com desconfiança por Fernandes.
Para ele, devido à tecnologia disponível pelos aliados, que contam com bombas inteligentes, ou seja, empregadas para atingir alvos mais precisos, o risco à integridade das forças anglo-americanas não seria acentuada.
A desconformidade do armamento bélico entre o grupo da coalizão e o Iraque é outro ponto questionado pelo general. “As desproporções são tantas que talvez o combate se configure mais como uma ação militar do que como uma guerraâ€, comenta.
Resistência
Fernandes também comenta a informação de que existiria um anel de resistência protegendo Badgá, afinal os EUA informaram que 500 iraquianos morreram nos conflitos, enquanto a tropa americana não teria sofrido baixas.
“Os EUA não mentiriam nesse ponto. Não sabemos sobre o futuro do Iraque. Não sabemos que tipo de orquestração foi feita pelos americanos lá. Tudo é especulação. Por exemplo, ainda não sabemos como as tropas dos aliados se instalaram no norte e nem o total de efetivoâ€, questiona.
Na opinião dele, talvez as principais incursões rumo a Bagdá não foram feitas pelo norte porque é improvável que o governo dos EUA tenha interesse em estimular a participação curda no conflito. “Se avançassem por lá, provavelmente a tropa curda viria na seqüênciaâ€, ressalta.
Ainda diferindo dos comentaristas de guerra, o general também não valoriza a ação do grupo paramilitar de apoio a Saddam Hussein, o Fedayeen, que é treinado para espionagem e ações de sabotagem. Calcula-se que cerca de 60 mil homens integrem o efetivo.
“Não sabemos ao certo a quantidade de homens, mas os anglo-americanos não se arriscariam em guerrilhasâ€, conclui.
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Brasil
Durante a entrevista concedida ontem, o general Francisco José da Silva Fernandes preferiu não comentar se o Brasil estaria pronto para ir ao fronte de guerra caso fosse convocado. Apenas ressaltou que se recebesse uma ordem, as tropas nacionais se adequariam para atender à solicitação.
“Precisaríamos saber o que se quer num conflito. Embora o Brasil não tenha inimigos, devemos estar sempre preparados. É o que se espera de nós (militares). Somos instruídos para garantir a defesa da pátriaâ€, finaliza.